Quando os nossos animais morrem merecem dignidade...
Correio de Lagos
19/08/2026
Quando um animal morre, há uma casa que fica diferente, não apenas porque desaparece uma presença que durante anos fazia parte da rotina familiar, mas porque se altera uma espécie de equilíbrio silencioso a que nos habituámos sem nunca lhe darmos grande importância: deixamos de ouvir as patas no chão, de encontrar aquele olhar à porta quando chegamos, de ver o animal ocupar o seu lugar habitual, de falar com ele sem esperar uma resposta e, tantas vezes, de lhe confiar silenciosamente aquilo que não conseguimos ou não queremos dizer a mais ninguém, até que chega o dia em que esse lugar fica vazio e percebemos, talvez demasiado tarde, que aquele animal que para quem olha de fora era simplesmente um cão, um gato ou outro animal de companhia, para nós era uma parte da nossa própria história.