A 1ª República gozada pelo povo
"Um português, uma tristeza; dois portugueses, uma discussão; três portugueses, uma revolução."
"Um português, uma tristeza; dois portugueses, uma discussão; três portugueses, uma revolução."
Nos últimos anos, Lagos tem assistido ao licenciamento e construção de um número muito significativo de novos hotéis. Alguns já se encontram em construção, enquanto outros aguardam ainda a conclusão dos respetivos processos de licenciamento.
Ao ler-se o artigo “O Acordo Ortográfico ainda não pode ser julgado” de Paulo Freitas do Amaral, verifica-se que o artigo é um primor de retórica histórica, mas peca por determinismo tecnológico. Ele olha para as redes de informação como um mero eco do Acordo, quando, na verdade, elas são o seu principal campo de batalha. Longe de tornarem o Acordo irreversível, as novas tecnologias expõem as suas incongruências diariamente, mantendo viva a grafia anterior nos motores de busca e permitindo, pela primeira vez na História, uma flexibilidade ortográfica em tempo real. Se o autor estivesse certo, a inteligência artificial já teria resolvido a questão; mas a realidade é que a IA gera constantemente erros e confusões entre as variantes, provando que o Acordo não é uma realidade cultural consolidada, mas uma norma administrativa em permanente tensão com a prática viva da língua, uma tensão que a tecnologia, afinal, tornou mais visível, e não mais pacífica.
Já não bastava reescrever as palavras, mas até já se começa a querer reescrever a memória
Bruno Moreno
Médico de Família da Unidade de Saúde Familiar (USF) Coimbra Sul
A História portuguesa guarda expressões que atravessam gerações porque encerram em poucas palavras o espírito de uma época. "Sidónio Pais, não durmas... senão cais" foi uma delas. Muito mais do que um simples estribilho popular, traduzia a consciência de que Portugal vivia dias perigosos e de que o homem que então presidia à República caminhava sobre um terreno onde a violência política continuava a ser uma realidade.
Há datas que pertencem ao calendário. E há datas que pertencem à alma de um povo. Os 900 anos da fundação de Portugal inserem-se claramente na segunda categoria. Não estamos perante mais uma efeméride. Estamos perante um momento raro, daqueles que acontecem apenas uma vez em muitas gerações e que obrigam o país a olhar para a sua própria identidade.
Pluricentrismo significa respeitar e cultivar cada variante, nunca apagá-las.
Prezado Senhor Paulo Freitas do Amaral, autor do artigo “O Acordo Ortográfico ainda não pode ser julgado”.
Há uma pergunta que raramente encontro no debate sobre o Acordo Ortográfico: será que já passou tempo suficiente para o julgar? A facilidade com que se proclama o seu sucesso ou o seu fracasso revela, muitas vezes, uma dificuldade em compreender o ritmo próprio da História. Como historiador, aprendi que as grandes transformações raramente podem ser avaliadas enquanto ainda estão a acontecer. O tempo é um elemento essencial para perceber o verdadeiro alcance das mudanças profundas de uma sociedade, sejam elas políticas, culturais ou linguísticas.