Números e a realidade do SNS na região Algarvia

MAIS MÉDICOS QUE ENFERMEIROS NA ULS DO ALGARVE
MENOS 322 ENFERMEIROS QUANDO COMPARAMOS OS DADOS DE 2024 COM OS DADOS DE 2025 (ATÉ OUTUBRO)
Os relatos dos enfermeiros que integram a Unidade Local de Saúde (ULS ALG), nalguns serviços, demonstram uma realidade preocupante: os turnos extraordinários são cada vez mais utilizados para colmatar falhas permanentes nas escalas. Frequentemente, quando os profissionais iniciam um turno, existem já múltiplos horários por assegurar. Caso esses turnos não sejam preenchidos voluntariamente, os enfermeiros são obrigados a seguir turno.
Conciliar a vida familiar, social e pessoal é uma miragem para os enfermeiros que parece não preocupar a administração da ULS do Algarve.
Aliás a sua única preocupação parece ser que o recurso a trabalho extraordinário não recaia sobre as folgas semanais obrigatórias, para evitarem o pagamento das folgas de compensação.
A Entidade Reguladora da Saúde, num recente estudo, alertou para os desequilíbrios que existem no Algarve entre as necessidades e a oferta.
Nesse mesmo estudo contata-se que, no acesso aos cuidados de saúde primários existem 0,67 enfermeiros por mil habitantes e, 0,76 médicos. Afirma, ainda, a Entidade Reguladora da Saúde que cerca de 90% da população algarvia enfrenta baixos níveis de acesso aos cuidados de saúde, consequência das assimetrias sociodemográficas e da insuficiente cobertura de respostas de proximidade.
Dos dados revelados por este Estudo, constatamos que em 2025 (até outubro) existiam 2023 enfermeiros na ULS do Algarve (hospitais e centros de saúde) MENOS 322 quando comparamos com 2024.
De acordo com o relatório State of Health in the EU – Portugal: Perfil de Saúde do País 2025, em 2024 a esperança média de vida em Portugal atingiu os 82,7 anos. Em 2023, o rácio nacional era de 7,9 enfermeiros por cada mil habitantes. No Algarve, esse número descia para apenas 6 enfermeiros por mil habitantes, sendo que apenas 0,81 correspondem a enfermeiros especialistas por mil habitantes. Estes números são particularmente preocupantes quando comparados com a média da União Europeia, que ronda os 9 enfermeiros por mil habitantes.
É reconhecido que, o aumento da taxa etária da população algarvia, o aumento das comorbilidades e da carga de doença determina, no essencial, a prestação de cuidados de manutenção que, no essencial, são da competência dos enfermeiros.
É inaceitável a inversão da pirâmide – mais médicos que enfermeiros – na região e cuja consequência óbvia é o recurso aos serviços de urgência, os internamentos sociais, etc, situação que se pode vir a agravar com a intenção do Ministério da Saúde em acabar com as Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos"
SEP Algarve



