Intervenção do Grupo Municipal da CDU, proferida por Daniel José, na sessão conjunta da Assembleia Municipal e Câmara Municipal de Lagos - Comemorativa do 52º Aniversário do 25 de Abril

´´Senhora Presidente da Assembleia Municipal
Senhor Presidente da Câmara Municipal
Demais Autarcas do concelho
Assembleia Municipal da Juventude
Representantes do movimento associativo
Forças de segurança, Protecção Civil e demais convidados
uma saudação muito especial aos capitães de Abril Lacobrigenses
As nossas mais cordiais saudações a todos os presentes, que aqui estão com Abril no coração — não apenas para o celebrar, mas para afirmar a vontade de continuar a lutar por uma sociedade mais justa, mais solidária e verdadeiramente livre.
Assinalamos hoje 52 anos da Revolução de Abril, bem como os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições para o Poder Local Democrático — três momentos inseparáveis que marcam profundamente o nosso percurso coletivo enquanto povo e enquanto país.
O 25 de Abril foi uma das maiores conquistas da história de Portugal. Resultado de uma longa e corajosa luta, pôs fim a 48 anos de ditadura fascista, de repressão, censura e exploração. Acabou com uma guerra colonial que durante treze anos roubou vidas e futuro a milhares de jovens e às populações dos povos que lutavam pela sua independência.
Abril trouxe liberdade. Trouxe democracia. Trouxe dignidade. Deu voz a quem durante décadas foi silenciado — trabalhadores, mulheres, jovens, camponeses — e abriu caminho a profundas transformações sociais, económicas e culturais.
Celebrar Abril é, por isso, afirmar o seu significado. É recordar o que foi o fascismo — a pobreza, o medo, a repressão, a ausência de direitos — e rejeitar todas as tentativas de o branquear ou reescrever a história. É dizer, com clareza: nunca mais.
Mas celebrar Abril é também valorizar as conquistas alcançadas. A Constituição de 1976 é uma das suas maiores expressões. Nela estão consagrados direitos, liberdades e garantias fundamentais, bem como direitos económicos, sociais e culturais que continuam a ser essenciais: o direito ao trabalho com dignidade, à saúde, à educação, à habitação, à segurança social.
A Constituição não é apenas um marco do passado — é um compromisso com o presente e o futuro. É um projeto de sociedade que exige concretização na vida de todos os dias. Defender a Constituição é lutar para que esses direitos sejam reais e efetivos para todos.
Também o Poder Local Democrático, que hoje evocamos, representa uma das mais importantes transformações trazidas por Abril. Foi através dele, com a participação das populações, que se desenvolveram territórios, se criaram infraestruturas, se melhoraram condições de vida e se aproximou a democracia das pessoas.
Apesar das dificuldades e dos desafios ao longo destas décadas, o Poder Local continua a ser um espaço fundamental de participação, de proximidade e de concretização de direitos.
Mas não podemos ignorar o tempo em que vivemos. Persistem desigualdades profundas, dificuldades no acesso à habitação, pressões sobre os serviços públicos, precariedade laboral e insegurança no futuro, sobretudo para os mais jovens. Ao mesmo tempo, assistimos ao crescimento de discursos que promovem o ódio, a divisão e o retrocesso.
A minha geração nasceu em liberdade. Nunca viveu sob censura, nunca teve medo de expressar uma opinião, nunca conheceu a perseguição política. E isso não é um dado adquirido para sempre — é uma conquista que precisa de ser defendida todos os dias.
Defender Abril hoje é mais do que recordar o passado. É agir no presente. É lutar por melhores condições de vida, por salários dignos, por uma escola pública de qualidade, por um Serviço Nacional de Saúde forte, por acesso à habitação e por uma sociedade mais justa.
É afirmar que não há democracia plena sem justiça social. Quando os direitos não chegam à vida concreta das pessoas, a democracia enfraquece e abre espaço ao desânimo e ao retrocesso.
Abril ensinou-nos que nada é oferecido — tudo é conquistado. Foi a força do povo que derrubou a ditadura. Foi a participação e a coragem coletiva que construíram a democracia.
E é essa mesma força que continua a ser necessária hoje.
Por isso, este é um tempo de responsabilidade, mas também de esperança. Um tempo para afirmar valores, para unir esforços e para continuar a construir o futuro que Abril nos prometeu.
Que este 25 de Abril seja mais do que uma evocação. Que seja um compromisso renovado com a liberdade, com a democracia e com a justiça social.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Constituição
Viva o Poder Local democrático



