Porque é que em 50 anos nada mudou no jornalismo regional
Tenho 28 anos de jornalismo, ininterrupto. É uma vida, de muitas experiências, muitas reportagens e uma aprendizagem contínua e muito profícua.
Tenho 28 anos de jornalismo, ininterrupto. É uma vida, de muitas experiências, muitas reportagens e uma aprendizagem contínua e muito profícua.
Diz-se, por vezes, que o humor é a última trincheira da liberdade. Que a sátira é a forma mais limpa e eficaz de resistência contra os abusos do poder. Que o riso pode desarmar tiranias e mostrar, numa simples piada, o que outros ocultam em discursos pomposos. Mas esta ideia só faz sentido quando o humor é verdadeiramente livre — quando não se vê preso a interesses, conveniências ou dependências políticas.
Comecemos com uma constatação cromática: Portugal está a tornar-se daltónico. Daltónico ideológico, entenda-se. A poucos meses das eleições autárquicas, ergue-se pelo país uma paisagem de outdoors, cartazes e painéis onde reina uma nova paleta: azul-claro, azul-nevoeiro, azul-pálido, azul-água-choca. Tudo menos vermelho.
10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Está identificada uma nova “forma de censura”. Atingiu proporções tão graves que o Conselho Europeu em 2024 criou legislação para combater o fenómeno.
Em 1500, o navegador português Gaspar Corte Real, ao serviço da Coroa de D. Manuel I, atingiu a costa da Gronelândia, após explorar a região da Terra Nova. Este feito, praticamente ausente dos manuais escolares e do discurso político nacional, inscreve-se no contexto das navegações portuguesas do século XVI, que não se limitaram às rotas africanas, indianas e brasileiras, mas também alcançaram o Atlântico Norte e as zonas hoje pertencentes ao Canadá e ao território autónomo da Gronelândia, sob soberania dinamarquesa.
O humor é uma expressão nobre da inteligência democrática. Quando bem exercido, revela a hipocrisia do poder, desmonta os absurdos da ideologia e convida à reflexão crítica. Mas quando se converte em arma de escárnio sistemático contra os mesmos alvos, torna-se mero prolongamento de um certo domínio cultural — moralista, previsível, impune. O riso, em vez de libertar, oprime. Em vez de questionar, impõe.
A imprensa regional (jornais e rádios – papel e online), setor da sociedade com centenas de anos no nosso país, representa a primeira linha de notícias ao dispor dos leitores da região em que se inserem.
A Dra. Catarina Marques é ginecologista e especialista em medicina da reprodução na Clínica IVI Lisboa.