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Os postais de correio de ontem e as fotos de Instagram de hoje

Os postais de correio de ontem e as fotos de Instagram de hoje

No final do século XIX e início do século XX, os postais ilustrados tornaram-se uma das formas mais populares de partilhar uma viagem, uma paisagem ou simplesmente o lugar onde se passavam férias. Enviava-se um postal à família, aos amigos ou à pessoa de quem se gostava, quase como hoje se publica uma fotografia no Instagram... mudaram a tecnologia e a velocidade, mas não tanto a vontade de mostrar onde estivemos.

Os antigos postais são hoje uma extraordinária fonte para o historiador, porque aquilo que parecia ser apenas uma recordação turística acabou por preservar pedaços de uma sociedade. Através deles conseguimos acompanhar a evolução urbanística das cidades, as alterações das paisagens e da costa, as transformações dos monumentos e até a afirmação dos primeiros destinos turísticos.

Mas há mais... aparecem pessoas, trajes que então eram quotidianos e que hoje parecem exclusivamente folclóricos, formas de lazer, meios de transporte, hábitos sociais e maneiras diferentes de ocupar os espaços públicos. E no verso encontramos pequenas mensagens que permitem perceber como evoluiu a escrita, como se comunicava, o que preocupava as pessoas e a própria mentalidade de uma época.

O curioso é que o Instagram poderá vir a desempenhar uma função semelhante. As fotografias que hoje publicamos das nossas férias, das cidades que visitamos ou dos lugares onde vivemos são, sem que muitas vezes pensemos nisso, um enorme arquivo visual do nosso tempo.

Daqui a cem anos, talvez um historiador olhe para essas fotografias com a mesma atenção com que hoje observa um postal de 1900... procurando perceber não apenas como eram os lugares, mas também aquilo que nós escolhemos mostrar deles.

Afinal, entre o postal de ontem e o Instagram de hoje existe mais continuidade do que imaginamos... continuamos a querer dizer a quem está longe «estou aqui, olha onde estou».

A diferença é que o postal precisava de selo e o Instagram precisa apenas de internet.

Paulo Freitas do Amaral

Professor, Historiador e Autor

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