USO E ABUSO DA LINGUAGEM E A REESCRITA DO PASSADO
Já não bastava reescrever as palavras, mas até já se começa a querer reescrever a memória
Já não bastava reescrever as palavras, mas até já se começa a querer reescrever a memória
Bruno Moreno
Médico de Família da Unidade de Saúde Familiar (USF) Coimbra Sul
A História portuguesa guarda expressões que atravessam gerações porque encerram em poucas palavras o espírito de uma época. "Sidónio Pais, não durmas... senão cais" foi uma delas. Muito mais do que um simples estribilho popular, traduzia a consciência de que Portugal vivia dias perigosos e de que o homem que então presidia à República caminhava sobre um terreno onde a violência política continuava a ser uma realidade.
Pluricentrismo significa respeitar e cultivar cada variante, nunca apagá-las.
Há datas que pertencem ao calendário. E há datas que pertencem à alma de um povo. Os 900 anos da fundação de Portugal inserem-se claramente na segunda categoria. Não estamos perante mais uma efeméride. Estamos perante um momento raro, daqueles que acontecem apenas uma vez em muitas gerações e que obrigam o país a olhar para a sua própria identidade.
Prezado Senhor Paulo Freitas do Amaral, autor do artigo “O Acordo Ortográfico ainda não pode ser julgado”.
Há uma pergunta que raramente encontro no debate sobre o Acordo Ortográfico: será que já passou tempo suficiente para o julgar? A facilidade com que se proclama o seu sucesso ou o seu fracasso revela, muitas vezes, uma dificuldade em compreender o ritmo próprio da História. Como historiador, aprendi que as grandes transformações raramente podem ser avaliadas enquanto ainda estão a acontecer. O tempo é um elemento essencial para perceber o verdadeiro alcance das mudanças profundas de uma sociedade, sejam elas políticas, culturais ou linguísticas.
Há encontros que não duram muito tempo, mas ficam para sempre. Há pessoas que, pela forma como falam, pela forma como escutam ou simplesmente pela maneira como se apresentam aos outros, deixam uma marca que o tempo não apaga. Luís Represas foi uma dessas pessoas.
Os resultados dos exames nacionais voltaram a lançar um sinal de alerta que não pode ser ignorado. No exame nacional de Português do 12.º ano, a média desceu de 12,6 para 11,4 valores. Ao mesmo tempo, a percentagem de classificações negativas aproximou-se dos 30%, quando no ano anterior rondava os 20%. Também a Literatura Portuguesa registou uma quebra preocupante, passando de 10,6 para 9,6 valores, tornando-se a única disciplina com média negativa.