O sinal secreto dos miguelistas e a sua rede clandestina após 1834
Correio de Lagos
21/02/2026
O sinal secreto dos miguelistas no século XIX permanece como uma das facetas mais discretas e fascinantes da memória política portuguesa. A Ordem de S. Miguel da Ala, refundada em 1828, antes mesmo de eclodir a guerra civil, organizava-se em núcleos dispersos pelo país, chamados capítulos, permitindo que o movimento legitimista se mantivesse vivo, nobre e religioso, mesmo quando confrontado com adversários e perigos. Entre os sinais de reconhecimento, o mais eficaz e simples era o uso dos forros vermelhos nos casacos, cor que remetia diretamente ao brasão da ordem, evocando coragem, fidelidade e sacrifício. Após 1834, com a derrota militar e a passagem do miguelismo à clandestinidade, estes forros tornaram-se mais do que um detalhe de vestuário: eram marcas de pertença, laços de confiança entre famílias do Minho, como os da Casa do Guardal e da Casa do Entreposto, em Guimarães, que mantinham estes sinais discretos de reconhecimento entre aliados.