Até quando os venezuelanos terão de esperar para simplesmente poder escolher?

Estamos prontos para escolher e o que escolhemos é a democracia!
É um olhar que nasce de quem teve de sair, refazer a vida noutro país e ainda assim não consegue deixar o país para trás. As declarações de Trump de que a Venezuela ainda não está preparada para eleições servem de gatilho para uma questão mais funda, nomeadamente, quem tem o direito de decidir quando o povo está pronto para escolher o seu destino?
O texto reconhece algo óbvio, mas importante! As eleições não são apenas urnas! Exigem instituições confiáveis, imprensa livre, segurança, participação sem perseguição e respeito ao resultado. Reconhecer isso não pode virar desculpa para adiar a democracia eternamente.
Quando o debate passa a ser mais sobre petróleo do que sobre votos, a liberdade começa a ser tratada como moeda de troca. É isso que precisa ser dito com todas as letras. Não se trata de trocar uma tutela por outra, nem de substituir um centro de poder por outro. A Venezuela não pertence a Delcy Rodríguez, a Trump ou a qualquer potência estrangeira. Pertence aos venezuelanos!
É neste ponto que entra o lado humano que não cabe em análises frias. Famílias partidas, despedidas ao meio, despedidas sem promessa de volta. Gente que reconstruiu a vida em Portugal e em tantos outros lugares, mas continua a acordar e a dormir com a Venezuela no peito. Não é sobre política, é sobre identidade, sobre raízes, sobre o direito básico de pertencer e de escolher.
No fim, o apelo não é por atalhos, nem por salvadores, é por condições sérias, transparentes e realmente democráticas. É poder votar sem medo, perder sem ser destruído, ganhar sem se tornar dono do país e, acima de tudo, é por uma vida onde, no dia seguinte, ainda se é livre. No fundo, a pergunta que fica não é técnica, é humana, quanto tempo mais um povo tem de esperar para simplesmente poder escolher?
Estamos prontos para escolher e o que escolhemos é a democracia!
Pedro Franco
Ativista Político




