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A DESFOLHADA NA BARROCA E A PRÁTICA DO TERÇO

A DESFOLHADA NA BARROCA E A PRÁTICA DO TERÇO

Cantam vivas, vivamente,

As mulheres na Barroca,

Entre o milho reluzente,

Onde a lua o campo toca.

Vêm rapazes de outras bandas,

Serandeiros no serão,

Trazem fúrias, trazem danças,

Cobiçando algum coração.

E na força do gigo cheio,

Que se carrega ao canastro,

Grita a moça sem receio,

Sob o brilho de algum astro.

Casar cedo… dor (1) ou espanto,

Cantam quadras sem ter medo,

Pois a vida tem mais manto,

Se se acorda este brinquedo.

Cai a noite, cai o dia,

Senta a mesa a santidade (2);

Onde a conta da agonia

Vira prece de verdade.

Beijo dado, bênção posta,

Toda a mágoa ali fenece…

Deus segura a corda oposta,

E Várzea adormece.

António da Cunha Duarte Justo

Pegadas do Tempo © : https://antonio-justo.eu/?p=11336

ORCID: https://orcid.org/0009-0003-6251-1578

(1) Alusão às cantigas talvez pedagógicas, marotas nas desfolhadas à volta das espigas do milho: “Minha mãe casai-me cedo, que me dói a passarinha! – Ó filha coç’à c’o dedo, que eu também cocei a minha!” Ao descascar o milho, aquele que encontrava uma espiga de milho-rei tinha a sorte de ir à roda abraçar e beijar todos.

(2) Referência ao costume da reza do terço, como momento de entrega e paz à noite para encerrar o dia. Barroca é uma quinta da freguesia de Várzea.

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