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Peixe hipoalergénico vence distinção "Born from Knowledge"

Peixe hipoalergénico vence distinção "Born from Knowledge"

O projecto Allyfish resulta da investigação de uma equipa multidisciplinar da Universidade do Algarve. Através de métodos que diminuem o agente alergénico nos peixes, os investigadores conseguiram reduzir em cerca de 50% a reactividade alérgica.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade do Algarve, o Allyfish é o vencedor da distinção Born from Knowledge (BfK), atribuída pela Agência Nacional de Inovação (ANI), no âmbito dos Food & Nutrition Awards, cuja cerimónia de entrega de prémios decorreu hoje, dia 18 de Novembro, pelas 15h00 e pôde ser acompanhada no website e redes sociais do Jornal Económico.

A investigação em desenvolvimento visa reduzir o potencial alergénio do peixe, considerado o terceiro alimento mais alergénico, provocando reacções alérgicas a 2% a 5% da população mundial adulta com especial incidência em crianças e jovens, nos quais esta percentagem ronda os 6%.

A ANI considerou o projecto como o melhor candidato de base científica e tecnológica a concurso nos Food & Nutrition Awards, o que lhe valeu o troféu “Árvore do Conhecimento”. O projeto Allyfish, desenvolvido pelos investigadores Pedro Rodrigues, Cláudia Raposo e Denise Schrama, faz uma abordagem multidisciplinar à alergia ao peixe, desde a produção ao consumidor final, fundamentando-se na caracterização dos alérgenos deste alimento e na redução do potencial alergénico do mesmo.

As alergias alimentares podem ser desencadeadas por qualquer alimento, ainda que os mais frequentes sejam nozes, amendoins, marisco, peixe, leite, ovos, trigo e grãos de soja. Normalmente, os sintomas variam de acordo com a idade, podendo incluir erupções cutâneas, sibilos, corrimento nasal e, ocasionalmente, reacções mais graves como as anafilácticas, que podem ser fatais.

Segundo os investigadores, “a cronicidade, prevalência e o potencial de fatalidade da alergia alimentar, fazem da mesma um grave problema socioeconómico”. Em contrapartida, “o peixe é cada vez mais visto como uma fonte de proteína saudável e de elevado valor nutricional, sendo a aquacultura uma das indústrias com maior taxa de crescimento a nível mundial”.

O principal alérgeno do peixe, responsável por cerca de 95% das reações alérgicas em humanos, é uma proteína presente no seu músculo denominada de b-parvalbumina. Por conseguinte, “existem estudos que apontam que uma redução da concentração desta proteína no músculo do peixe está directamente relacionada com uma diminuição da reacção alérgica. Este caso está, por exemplo, documentado no atum, em que pacientes alérgicos a esta espécie fresca não têm o mesmo tipo de reacção quando consomem atum enlatado onde a concentração do agente alergénico se encontra reduzida”.

Utilizando a Dourada e o Robalo, devido não só à sua importância económica na Península Ibérica, mas também ao vasto conhecimento do seu processo produtivo, os investigadores começaram por enriquecer as dietas destas espécies com moléculas específicas quelantes de cálcio como o EDTA (ácido etileno-diamino-tetraacético), de modo a induzir a apo-forma da b-parvalbumina, bem como moléculas como a creatina, cujo alvo seja a redução da concentração da b-parvalbumina no músculo dos peixes.

A metodologia envolveu todo o processo de produção dos peixes, desde a formulação de dietas, ensaios de crescimento, teste do bem-estar dos animais, da qualidade do seu músculo e da concentração da b-parvalbumina, e, por fim, teste da reacção alérgica através de um ensaio IgE, realizado no Luxemburg Institute of Health, utilizando soro de pacientes alérgicos a peixe.

“Até à data, foi conseguida uma redução em cerca de 50% da reactividade alérgica, utilizando dietas enriquecidas com 3% de EDTA, documentada por uma publicação científica em 2019 e cujo procedimento foi alvo de um pedido provisório de patente”, rematam os investigadores.

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