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Idosa encontrada morta no apartamento onde vivia sozinha em Lagos, após alerta de vizinhos para mau cheiro no prédio situado na Rua D. Vasco da Gama

Idosa encontrada morta no apartamento onde vivia sozinha em Lagos, após alerta de vizinhos para mau cheiro no prédio situado na Rua D. Vasco da Gama

Bombeiros e agentes da PSP estiveram no local. Fonte policial garantiu, ao nosso Jornal, que “não há suspeitas de crime”. O corpo foi levado para o Gabinete do Instituto de Medicina Legal, no Hospital do Barlavento, em Portimão, a fim de ser autopsiado.

Uma senhora, com mais de 80 anos, foi encontrada morta na passada sexta-feira, dia 21 de Outubro de 2022, no apartamento onde residia no primeiro andar do prédio situado na Rua D. Vasco da Gama, nº. 81, em Lagos, após ali terem entrado elementos da corporação dos bombeiros desta cidade e agentes da Polícia de Segurança Pública. Depois de ter sido confirmado o óbito, o corpo foi levado, já cerca da 01h00 da madrugada de sábado, 22/10/2022, para o Gabinete do Instituto de Medicina Legal, no Hospital do Barlavento, em Portimão, a fim de ser autopsiado.

“Não há suspeitas de crime”, garantiu, ao ‘Correio de Lagos’, fonte policial. Tratar-se-á de uma morte natural. Ao que apurámos, a senhora estava caída no chão, junto à casa de banho.

Problemas há “quatro, cinco anos” entre os moradores do edifício e a vizinha, agora falecida, devido “a cheiros nauseabundos” que emanavam para o vão de escadas e varandas, tendo sido pedida a intervenção do Delegado de Saúde de Lagos e do presidente da Câmara Municipal.

A intervenção das autoridades surgiu na sequência de mais um alerta por parte de moradores do edifício, devido a um “cheiro insuportável” no local durante a tarde da passada sexta-feira, de acordo com informações recolhidas pelo ‘Correio de Lagos’ junto de uma pessoa que se deslocou ao prédio e deparou com o movimento dos bombeiros e da polícia.

Segundo contaram ao ‘CL’, existiam, “há quatro, cinco anos”, problemas entre os moradores e a vizinha, agora falecida, devido “a cheiros nauseabundos, que emanam para o vão de escadas e varandas”, o que provocou queixas às autoridades. Em carta enviada ao Delegado de Saúde do Centro de Saúde de Lagos, no dia 29 de Junho de 2022, os residentes daquele edifício situado na Rua D. Vasco da Gama, devidamente identificados pelas respectivas assinaturas, pediram “a cabal intervenção à fracção do primeiro andar (1º. Frente), onde reside uma Senhora de idade sensivelmente de 80 anos (referiram o primeiro nome da inquilina), cuja sua coabitação com os restantes condóminos se tem revelado já há alguns anos de difícil trato ao nível da segurança do prédio pela degradação das tubagens de gás, de electricidade e bem assim, das canalizações, tornando seguramente inabitável o espaço da própria fracção onde a mesma reside, a avaliar pelos cheiros nauseabundos, que emanam para o vão de escadas e varandas”.

Nessa carta, os moradores lembraram: “É neste contexto que contactados os Serviços da Câmara Municipal de Lagos, com competência para o efeito, os mesmos remeteram para o Delegado de Saúde, por se tratar de questões de Higiene e Saúde Pública”.

Já na parte final do documento, sublinharam “que de mau grado e sem outros apoios, os condóminos já se encontram numa situação limite nas suas próprias casas (designadamente os do andar superior e da Loja que está ao nível do rés-do-chão), tornando-se imperiosa e urgente a intervenção dos Serviços ao nível do Estado, pois ninguém sabe o perigo maior que dali poderá advir”.

Deste modo, os moradores pediram a intervenção do Delegado de Saúde de Lagos, “com a maior urgência possível, a fim de evitar um perigo eminente”, e permitir “o retorno da paz neste prédio”.

Na mesma data, 29 de Junho de 2022, em carta remetida ao presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, ao solicitarem a “intervenção por razões de segurança, salubridade e saúde pública na Fracção 1º. Frente”, informaram o responsável do executivo sobre as diligências apresentadas ao Delegado de Saúde, “no que concerne à avaliação de cheiros nauseabundos de forma reiterada”, emanados daquele apartamento.

Não era dona da habitação, nem abria a porta aos vizinhos e até era vista a “atirar, por uma janela, comida, como peixe e carne a cheirar mal, para a rua”. “Apareciam gaivotas e outros animais, mas nem a comiam”, recordaram residentes no prédio

No dia 21 de Julho de 2022, uma nova carta dirigida ao Delegado de Saúde de Lagos, assinada por sete de onze moradores do prédio (alguns estavam ausentes desta cidade nessa altura), voltou a insistir para a solução do problema.

Não podemos estar aqui, é a saúde pública que está em causa”, alertou-nos, recentemente, uma residente, acrescentando que “há dias piores do que outros”.

A idosa, que não era proprietária do apartamento onde vivia sozinha e nem abria a porta aos vizinhos, até era vista, com alguma frequência, a “atirar, por uma janela, comida, como peixe e carne a cheirar mal, para a rua”. “Apareciam gaivotas e outros animais, mas nem a comiam”, recordaram, à nossa reportagem, moradores do edifício, pedindo para não serem identificados.

Possíveis “problemas de saúde mental”. Antes da pandemia da Covid-19, autoridades retiraram três caixotes de lixo acumulado do apartamento

Uma vez cruzei-me com a senhora e alertei-a para a situação de mau cheiro no prédio. Deu como desculpa as ‘paredes’…” - disse uma residente, admitindo “problemas de saúde mental” por parte daquela vizinha, que também “não queria ajuda”.

Quem estava na rua podia sentir o mau cheiro desde a varanda do apartamento”, lembrou.

Antes da pandemia da Covid-19 e na sequência de queixas dos moradores receando “um incêndio no prédio, devido ao facto de a casa estar cheia de lixo”, por ordem do Tribunal de Lagos agentes da PSP e assistentes sociais da Câmara Municipal acabaram por entrar no apartamento onde residia a idosa, de onde retiraram “três caixotes de lixo acumulado”.

Agora, após mais um alerta de vizinhos para mau cheiro no prédio, a senhora acabou por ser encontrada sem vida por bombeiros e agentes da PSP que conseguiram entrar naquela habitação. “Sem indícios de crime”, o corpo vai ser autopsiado em Portimão. O caso deverá ser comunicado ao Ministério Público da Comarca de Lagos.

(Notícia em actualização)

Legenda das Imagens:

1 - Varanda da casa onde vivia idosa;

2 - Passada uma semana, a porta do prédio continua aberta devido ao cheiro nauseabundo.

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