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Autárquicas 2021: Paula Freitas, candidata a presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo pela coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM, garante: «É possível governar sem maioria absoluta»

Autárquicas 2021: Paula Freitas, candidata a presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo pela coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM, garante: «É possível governar sem maioria absoluta»

«Quando estive na Câmara com o engenheiro Gilberto Viegas, num mandato, éramos só dois [do PSD] e não tínhamos maioria absoluta. E governámos, deixando marca no concelho», destaca Paula Freitas, ao recordar o tempo em que foi vice-presidente do executivo municipal de Vila do Bispo. Agora, vê o concelho «parado», com falta de habitação para fixar jovens e de novas escolas, entre outras lacunas.

«Sou uma pessoa que quando se mete num projecto é para melhorar», avisa, nesta entrevista ao nosso Jornal, a candidata da coligação liderada pelo Partido Social Democrata (PSD) à presidência da Câmara de Vila do Bispo, de 57 anos, professora de Físico-Química, garantindo, com convicção: «Espero ganhar!».

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Correio de Lagos – Como se envolveu nesta candidatura à presidência da Câmara Municipal de Vila do Bispo?

Paula Freitas – A entrega das listas e do processo de candidatura [no Tribunal de Lagos] foi um acto simbólico que pela primeira vez realizei. (...) Já fiz parte da candidatura do segundo mandato do Gilberto Viegas. No primeiro mandato, fui membro da Assembleia Municipal. Agora, foi um trabalho que me deu alguma satisfação porque tive de contactar com as pessoas, senti as pessoas a me apoiar, independentemente da cor [política], que neste momento é uma coligação de partidos, o PSD, o CDS-PP, MPT e PPM. Expliquei que sou independente e nada tenho contra as cores partidárias, porque nós temos de ser pluralistas. E expliquei que é a Paula que se candidata com um projeto que tem de ser apoiado.

Sozinha nada poderei fazer pelo concelho de Vila do Bispo. Justifiquei-me e solicitei às pessoas, achando que elas são um contributo para a minha candidatura. As pessoas aceitaram. Foi muito bom. Sinceramente, acho que me engrandeceu também como pessoa.

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«Houve algumas situações de pessoas se manifestarem com receio de aparecer nas listas, talvez por represálias, por assim dizer. Não disseram essa palavra, mas deram a entender que tinham receio do futuro»

CL – E formar as listas foi difícil, ou não?

PF – Olhe, ao formar as listas houve algumas situações de pessoas se manifestarem com receio de aparecer nas listas, talvez por represálias, por assim dizer. Não disseram essa palavra, mas deram a entender que tinham receio do futuro. E eu disse que aceitava as pessoas dizerem que sim e dizerem que não. Houve outras pessoas que me apresentaram razões pessoais. Acho que tenho umas listas jovens.

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Gilberto Viegas? «Agradeço o apoio que me manifestou. Isso para mim é também importante porque significou que o tempo em que eu estive com ele, fui válida, fui competente»

CL – Gilberto Viegas, que já foi presidente da Câmara de Vila do Bispo, encabeça agora a lista à Assembleia Municipal. O que representa para si essa situação?

PF – Agradeço o apoio que me manifestou. Isso para mim é também importante porque significou que o tempo em que eu estive com ele, fui válida, fui competente. Daí ele dizer que, neste momento, voltava à política.

CL – Espera ganhar estas eleições?

PF (sem hesitação) – Eu espero ganhar! Nós quando concorremos, temos um projecto, temos uma motivação. E ao mesmo tempo, temos uma capacidade e uma competência. Portanto, espero ganhar. Darei tudo por tudo. Também quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa empenhada. Sou uma pessoa que quando se mete num projecto é para melhorar. E eu acho que o meu concelho precisa de melhorar.

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«Nestes últimos quatro anos, acho que houve uma paragem. (…) Ao fazer o diagnóstico, eu penso em termos de obra e não vejo obra»

CL – E o que falhou nestes quatro anos?

PF – Nestes últimos quatro anos, acho que houve uma paragem. Poderia ter havido mais intervenção. Ao fazer o diagnóstico, eu penso em termos de obra e não vejo obra. Não vejo o concelho dinâmico. Vejo o concelho parado.

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«Quando vejo o concelho de Lagos com muitas escolas, quando no Algarve todos os concelhos têm uma escola nova, sinto pena nós não termos conseguido uma nova mesmo com fundos comunitários»

CL – Qual é a sua grande aposta para os próximos quatro anos como presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo? Qual a principal obra que gostaria de realizar?

PF – Grande aposta são muitas. Sou da área da Educação. Além do exercício da actividade, tenho experiência como autarca no tempo em que fui vice-presidente com o Gilberto Viegas. Já tinha tido experiência na Assembleia Municipal. Senti que, enquanto lá estive, contribuí ao nível da educação, melhorei os espaços escolares, investi nos equipamentos. Na altura, ainda não havia agrupamentos escolares das escolas do primeiro ciclo e pré-escolar, que pertenciam à Câmara Municipal. No pouco tempo em que estive na autarquia, além das obras, consegui o reforço de pessoal nas várias áreas. Neste momento, o agrupamento já tem a escola EB 2,3. É a escola em que eu estou há 28 anos e entristece-me praticamente só ter pequenos arranjos.

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«Quando vejo o concelho de Lagos com muitas escolas, quando no Algarve todos os concelhos têm uma escola nova, sinto pena nós não termos conseguido uma nova mesmo com fundos comunitários, porque os nossos jovens merecem»

CL – Vai, então, apostar em escolas se chegar à presidência?

PF – Exatamente. Vou investir nas escolas, no planeamento. Falta planeamento em Vila do Bispo. A obra é feita não em pormenor.

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«O meu primeiro objectivo foi perceber como é que estava a dinâmica da Câmara em termos de pessoal e de trabalho. E o que senti foi que muita gente saiu da Câmara. Isso não é bom sintoma»

CL – Não há pessoal na Câmara?

PF – Neste momento, é outra realidade que ia apontar. Na altura em que o engenheiro Gilberto Viegas era presidente, a Câmara tinha pessoal qualificado. Inclusivamente, ele foi acusado de só contratar pessoas. Mas é assim: para nós lançarmos obras a concurso, para nós darmos uma dinâmica, temos de ter pessoas para a realizar. A partir do momento em que aceitei esta candidatura, o meu primeiro objectivo foi perceber como é que estava a dinâmica da Câmara em termos de pessoal e de trabalho. E o que senti foi que muita gente saiu da Câmara. Isso não é bom sintoma. Portanto, nós estamos insatisfeitos.

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«Quem entrar na Câmara Municipal de Vila do Bispo, terá de fazer um diagnóstico e de organizar e ordenar com contratação. É isso que pretendo». Apostar na «habitação social e não só social», pois «é preciso criar condições para fixar jovens neste concelho (…)», onde «as pessoas já me falam na Raposeira, em Burgau, em Barão de São Miguel... Acho que há necessidade em todas as freguesias (…) mas não vou apontar números» de habitações em falta

CL – Irá apostar na habitação, uma lacuna de que muito se fala?

PF – É outro ponto. A habitação social e não só social. É preciso criar condições para fixar jovens neste concelho.

CL – E quantas habitações são necessárias?

PF – Não tenho agora ideia. Isso passa também por nós percebermos se a Câmara tem terrenos para construir. Mas as pessoas já me falam na Raposeira, em Burgau, em Barão de São Miguel... Acho que há necessidade em todas as freguesias do concelho de Vila do Bispo.

CL – Meia centena, uma centena de habitações?

PF – Não sei, não vou apontar números porque acho que é prematuro. Mas falta habitação. E neste momento há um processo a nível nacional de criar condições para as pessoas ou adquirirem ou arrendarem. E a Câmara tem de ser um elo, tem de ser a ajuda. Então num concelho pequeno onde não há um apoio, tem de existir um gabinete e a Câmara tem de se disponibilizar nesse sentido.

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Na campanha eleitoral, apesar das restrições devido à pandemia, «as pessoas têm de sentir que estamos lá, junto delas, nem que seja para uma palavra amiga»

CL – Como vai ser a sua campanha eleitoral? Quantas pessoas levará para o terreno perante as restrições resultantes da pandemia da Covid-19?

PF – Em face da pandemia, as coisas têm de ser muito bem estruturadas. E eu acho que, neste momento, temos de tomar decisões com base na situação como está. A minha planificação de campanha vai ser, na altura, perceber se a situação pandémica está mais ou menos, o que neste momento não está. Estava a fazer uma planificação e agora já estou a alterá-la.

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«Para além das redes sociais em que nos temos de apoiar (é o futuro), estamos num concelho onde ainda há muitas pessoas idosas e é importante o contacto. E eu gosto muito do contacto das pessoas, talvez por ser professora»

CL – Vai andar de casa em casa?

PF – Sim. Vou fazer isso, embora com menos pessoal. Não se pode fazer aqueles arruamentos como há anos. Levarei cinco pessoas talvez no máximo. Mas com distanciamento, máscara e outras condições de segurança, como é evidente. Na escola, fui das pessoas que sempre impulsionou o uso da máscara. O Covid-19 é a prova de que estamos com dificuldades.

Depois do habitual mês das férias, Agosto, quando entrarmos [na campanha], queremos saber como está a situação económica do concelho de Vila do Bispo para as pessoas sentirem que alguém se encontra próxima delas. Acho que nesse aspecto, as pessoas também não se sentiram devidamente apoiadas. Os apoios realizados foram muito ao nível das escolas, por exemplo, às famílias, com o apoio da autarquia. Mas as pessoas têm de sentir que estamos lá, junto delas, nem que seja para uma palavra amiga.

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Treze mil euros de orçamento

CL – Quanto vai gastar nesta campanha eleitoral?

PF – Tenho um orçamento de 13.000 euros.

CL – Como será despendido? Em panfletos, outdoors, oferta de canetas e outros brindes, por exemplo?

PF – A campanha começou com a distribuição da minha carta de apresentação. Há muita gente que me conhece, mas há pessoas que podem não me conhecer. A seguir vem o outdoor, dentro do plafond nacional a que nós temos direito. Ao mesmo tempo será a parte da rede social. Depois, divulgarei o meu programa e com certeza que haverá um jornal de campanha. E haverá o contacto de porta a porta.

A distribuição do brinde já não é com aquela intensidade que era antigamente, porque também temos de ter cuidado. Antigamente, deslocava-se a equipa praticamente toda junta para o terreno. Todo o staff de candidatura ia em campanha. Neste momento, não. Temos de nos restringir muito disso. Mas ainda temos de apostar na proximidade com as pessoas, que é o que considero importante.

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«Atendendo à dimensão do concelho em termos do número de pessoas, eu acho que são muitas candidaturas»

CL – Cinco candidaturas à Câmara Municipal de Vila do Bispo para um concelho com pouco mais de quatro mil eleitores. Como encara essa situação? São muitos candidatos?

PF – Atendendo à dimensão do concelho em termos do número de pessoas, eu acho que são muitas candidaturas. Mas nós estamos num processo democrático. E se eu tenho direito a apresentar uma candidatura, com certeza que as pessoas quando consideram que são válidas também têm direito de fazer o mesmo. E é um processo que deve ser tratado no seu devido lugar, cada um apresenta as suas ideias, os seus projectos, e o povo decide. Sou muito democrática.

CL – Se não houver maioria absoluta, será possível governar o município de Vila do Bispo?

PF – É possível governar. Quando estive na Câmara com o engenheiro Gilberto Viegas, num mandato, éramos só dois [do PSD] e não tínhamos maioria absoluta. E governámos, deixando marca no concelho. Pronto, é possível (sorriu).

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As figuras que encabeçam as listas da coligação PSD, CDS-PP, MPT/PPM a cinco dos seis órgãos autárquicos do concelho de Vila do Bispo

Câmara Municipal de Vila do Bispo: Paula Freitas, formada em engenheira química. É professora da disciplina de Físico-Química do 3º. Ciclo na Escola EB 2,3 de São Vicente, em Vila do Bispo.

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Assembleia Municipal: Gilberto Viegas, engenheiro. Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo.

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Assembleia de Freguesia de Sagres: Joana Neves, enfermeira e formadora nesta actividade. Neste momento, trabalha como empresária num negócio familiar na área da hotelaria.

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Assembleia de Freguesia de Budens: Bruno Tiago Gaio, jovem empreendedor no sector da restauração na localidade da Salema, num negócio de família. Tem formação em arquitectura.

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Assembleia de Freguesia de Vila do Bispo e Raposeira: José Jaime de Sousa, marisqueiro. Já foi comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila do Bispo e integrou a direcção desta associação humanitária.

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Mandatário – Maria Judite Galhardo Dias, aposentada da Função Pública.

A coligação PSD/CDS-PP,PPM/MPT não apresenta candidatura à Assembleia de Freguesia de Barão de São Miguel.

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José Manuel Oliveira

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