“É o algoritmo que decide quanto vale cada um de nós?”

A DECO INFORMA…
O caso recente da Delta Airlines, acusada de usar sistemas de inteligência artificial para ajustar preços com base na disposição individual de cada passageiro para pagar, ilustra um fenómeno cada vez mais generalizado e pouco transparente. Apesar de muitas empresas negarem práticas de preços personalizados, a realidade é que preços, interfaces e mensagens são frequentemente moldados pela pegada digital dos utilizadores, através de dados comportamentais difíceis de escrutinar.
A personalização assume várias formas: de conteúdos, de interfaces e de preços, sendo esta última a mais sensível. Quando o valor de um produto depende do perfil digital do consumidor — histórico de compras, pesquisas, localização ou dispositivo —, o risco de exploração aumenta. A personalização pode trazer benefícios reais, como descontos relevantes e escolhas facilitadas, mas torna-se problemática quando explora fragilidades, necessidades urgentes ou oculta o preço real de mercado.
A DECO defende que a personalização de preços baseada em dados comportamentais discriminatórios é incompatível com os direitos fundamentais da União Europeia, pois destrói a transparência e a concorrência. A solução não passa por rejeitar a personalização, mas por regulá-la com limites claros, auditáveis e opcionais. Cabe à Comissão Europeia definir linhas vermelhas que garantam que a inovação digital respeita a justiça, a confiança e a liberdade dos consumidores.


