(Z1) 2024 - CM de Aljezur - Aljezur Sempre

Ângelo Mariano, coordenador da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur: Nesta altura, cada pessoa poderá gastar, “em média, mais de 80 euros” em restaurantes, bares e estabelecimentos

Ângelo Mariano, coordenador da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur: Nesta altura, cada pessoa poderá gastar, “em média, mais de 80 euros” em restaurantes, bares e estabelecimentos

“Por causa do mau tempo no Norte e no Centro do país, com uma enchente nos três concelhos [Lagos, Aljezur e Vila do Bispo] pelo bom tempo na noite de passagem-de-ano e no dia seguinte.

É bastante agradável para esta estação do ano”, admitiu, numa curta entrevista concedida ao ‘site’ do Jornal «Correio de Lagos» durante a passagem de ano de 2022 para 2023, o coordenador da ACRAL - Associação do Comércio e Serviços e Serviços da Região do Algarve, nos concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo, Ângelo Mariano. Contudo, este dirigente lamenta a falta de mão-de-obra portuguesa e aproveita para deixar recados aos empresários, incentivando-os a mais ambição, numa altura em que aposta em turismo durante todo o ano e não apenas no período do Verão.

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Correio de Lagos - Que balanço faz sobre o Natal de 2022 nos concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo, em termos económicos?

Ângelo Mariano - O balanço não foi muito animador por receio de muitos empresários ao tentarem fazer poupanças e economizar para o ano de 2023. Muitos até fazem o seu descanso nesta altura e alguns não abrem por falta de mão-de-obra. E mesmo com algumas atracções natalícias, não são suficientes para ter as lojas abertas, mas ainda existem 50% que se mantêm firmes e até participam nas actividades de Natal, apoiadas pela Câmara Municipal.

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No Natal de 2022, “o balanço não foi muito animador por receio de muitos empresários ao tentarem fazer poupanças e economizar para o ano de 2023. Muitos até fazem o seu descanso nesta altura e alguns não abrem por falta de mão de obra.”

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Correio de Lagos - Como analisa a nova tendência de muitos portugueses em passar a quadra natalícia em unidades hoteleiras e restaurantes?

Ângelo Mariano - Esse fenómeno poderá ser uma mais-valia para trazer mais turismo para o Algarve, mas no meu ponto de vista tem de ser mais trabalhado ao nível de oferta e promoção. Teremos de fazer um grande trabalho após o Verão para que a oferta seja apelativa e atractiva para novos mercados. Sempre foi um objectivo meu que o nosso cantinho (Lagos) fosse visitado durante todo o ano e para isso teremos de trabalhar bastante.

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“Há falta de mão-de-obra e a oferta de emprego cada vez mais é menos atractiva”

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Correio de Lagos - Há capacidade de resposta desses estabelecimentos ao nível de trabalhadores e oferta de serviços nesta altura do ano?

Ângelo Mariano - Infelizmente não. Há falta de mão-de-obra e a oferta de emprego cada vez mais é menos atractiva. Deveria haver uma reestruturação económica, em que a oferta de emprego e também a oferta ao nível de alojamento para os mesmos trabalhadores fossem mais funcionais.

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“Em 2022, conseguiu superar-se os resultados da pré-pandemia”

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Correio de Lagos - E qual o seu balanço sobre o ano de 2022 nestes três concelhos do barlavento algarvio?

Ângelo Mariano - Tivemos altos e baixos. De Abril até Novembro foram bastante animadores em geral, com muito turismo de variadas nacionalidades. Em 2022, conseguiu superar-se os resultados da pré-pandemia.

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Portugueses a passar o Natal em restaurantes e unidades hoteleiras? “Esse fenómeno poderá ser uma mais-valia para trazer mais turismo para o Algarve, mas no meu ponto de vista tem de ser mais trabalhado ao nível de oferta e promoção. Teremos de fazer um grande trabalho após o Verão para que a oferta seja apelativa e atractiva para novos mercados.”

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Correio de Lagos - Nesta passagem-de-ano de 2022 para 2023, há mais visitantes do que houve antes da pandemia da Covid-19, em 2019?

Ângelo Mariano - Sim, por causa do mau tempo no norte e no centro do país, com uma enchente nos três concelhos (Lagos, Vila do Bispo e Aljezur) pelo bom tempo na noite de passagem-de-ano e no dia seguinte. É bastante agradável para esta estação do ano.

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“Estimativa de arrecadar mais de 500.000 euros nos concelhos” de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo nesta fase

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Correio de Lagos - Quais os reflexos económicos resultantes dessa situação?

Ângelo Mariano - Prevêem-se bastante animadores, com a cota mais alta em termos de visitas e de consumo. Há estimativa de arrecadar mais de 500.000 euros nos três concelhos [nesta altura].

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Correio de Lagos - E quanto poderá gastar, em média, cada pessoa, por exemplo, em restaurantes, bares e em estabelecimentos comerciais?

Ângelo Mariano - Em média, mais de 80 euros.

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Correio de Lagos - Que conselhos deixa aos empresários e às pessoas, consumidores, em geral?

Ângelo Mariano - Aos empresários, em modo geral, para serem mais ambiciosos e apostarem num turismo anual com oferta atractiva e diferenciada. A questão é que [para muitos] não vale a pena abrir portas sem ser no Verão, mas a tendência é ter turismo todo o ano com várias ofertas ao nível cultural. A nosso favor temos um melhor clima e uma riqueza gastronómica que muitos países invejam. Será um processo lento, mas acredito que em 2026 teremos o mercado anual de turismo.

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São necessários “mais de dois mil trabalhadores nestes três concelhos. Só no concelho de Lagos faltam mais de mil.”

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Correio de Lagos - Em muitos restaurantes, bares, supermercados e lojas vêem-se pedidos dos proprietários para a contratação de pessoal mesmo no Inverno? A que se deve esta situação, numa altura em que existe tanto desemprego?

Ângelo Mariano - Mais uma vez, o turismo no Algarve está a dar passos para um turismo mais homogéneo a nível temporal e desta forma alguns grupos hoteleiros e de comércio necessitam de mão-de-obra.

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Conselhos? “Aos empresários, em modo geral, para serem mais ambiciosos e apostarem num turismo anual com oferta atrativa e diferenciada. A questão é que [para muitos] não vale a pena abrir portas sem ser no Verão, mas a tendência é ter turismo todo o ano com várias ofertas ao nível cultural. A nosso favor temos um melhor clima e uma riqueza gastronómica que muitos países invejam. Será um processo lento, mas acredito que em 2026 teremos o mercado anual de turismo.”

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Correio de Lagos - O recurso a trabalhadores estrangeiros, nomeadamente brasileiros, é a solução?

Ângelo Mariano - Infelizmente poderá passar por aí. Não só do mercado brasileiro, mas de outros países, nomeadamente de Cabo Verde, da Índia e do Bangladesh. Nesse sentido, são necessárias acções de formação para esses trabalhadores durante seis meses, apoiadas pelo Estado português, e dois anos de contrato.

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Correio de Lagos - Quantos trabalhadores são necessários nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur para suprir carências?

Ângelo Mariano - Mais de dois mil nestes três concelhos. Só no concelho de Lagos faltam mais de mil trabalhadores.

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Correio de Lagos - E quantos restaurantes, bares e outros estabelecimentos encerram no início do ano e durante quanto tempo?

Ângelo Mariano - Cerca de 70% encerram nesta altura e só reabrem entre Abril e Maio.

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“Penso que ainda vai haver vestígios da Covid 19 só nos primeiros meses, mas a partir de Abril acho que estaremos prontos para receber os turistas”

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Correio de Lagos - Qual a sua perspectiva para o ano de 2023?

Ângelo Mariano - Eu penso que ainda vai haver vestígios da Covid 19 só nos primeiros meses, mas a partir de Abril acho que estaremos prontos para receber os turistas e que as Câmaras Municipais terão um papel fundamental ao nível de oferta. Não é só concentrar no Verão, mas dinamizar por outros meses que também são importantes para o desenvolvimento das cidades e dos concelhos.

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Correio de Lagos - E quais os reflexos da inflação?

Ângelo Mariano - O turismo português deverá ser mais calculoso ao nível de estadias e de consumo.

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Correio de Lagos - Haverá menos consumo em face do aumento do custo de vida e de bens essenciais, como alimentos?

Ângelo Mariano - Para o mercado português e residentes, esse flagelo vai ser visível durante o primeiro trimestre do ano. Já o mercado do turismo nesse período é um mercado seleccionado que tem um poder económico distinto da actual conjectura.

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Inflação, subida do custo de vida? “Para o mercado português e residentes, esse flagelo vai ser visível durante o primeiro trimestre do ano. Já o mercado do turismo nesse período é um mercado seleccionado que tem um poder económico distinto da actual conjectura.”

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Correio de Lagos - Que projectos, iniciativas, tem a ACRAL para dinamizar a economia nos concelhos de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo, em 2023?

Ângelo Mariano - Vamos dar continuidade aos projectos que se têm vindo a desenvolver. E temos algumas iniciativas que ainda estão a ser planificadas e que serão uma mais-valia para o comércio local e turismo regional. A nossa aposta passa por termos turistas de todo o mundo durante a chamada época baixa. Em breve, daremos a conhecer esses projectos.

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