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Autárquicas 2021: Entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Aljezur, José Gonçalves

Autárquicas 2021: Entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Aljezur, José Gonçalves

O presidente da Câmara Municipal de Aljezur, José Gonçalves, candidato do PS ao cargo nas eleições autárquicas a realizar no dia 26 de Setembro de 2021, contesta as declarações, ao nosso jornal, do antigo edil Manuel Marreiros, que curiosamente o lançou na política e agora surge nesta corrida eleitoral contra si, numa lista de cidadãos independentes.

Nessa entrevista, recorde-se, Manuel Marreiros afirmou que «não se sabe para onde caminhamos e quem conduz os destinos do município. Não há rumo», que se «ouve muito a frase "concelho abandonado"» e que «o orçamento é integralmente "comido" em despesas correntes e de funcionamento», sendo «o investimento nulo». Por isso, lamentou, «estradas e caminhos estão num estado indescritível, infra-estruturas e equipamentos degradam-se e não funcionam». E lembrou, ainda: «Quando saí deixei projectos de execução prontos e que depois ficaram na gaveta».

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Correio de Lagos – Como reage a essas declarações de Manuel Marreiros. O que contesta? Afinal, que projectos ficaram prontos na altura em que Manuel Marreiros deixou a Câmara Municipal de Aljezur, como nos disse?

José Gonçalves – Reajo com toda a naturalidade! Estamos em pré-campanha, logo, toda e qualquer declaração deste ou daquele candidato, desta ou daquela candidatura será sempre da responsabilidade de quem as profere.

Tenho a certeza de que os Aljezurenses não estarão interessados em que os candidatos se andem a comentar uns aos outros, até porque situações dessas descambam, por vezes, para o pior que a política tem. Quem quer ser poder, para o bem e para o mal, utiliza os argumentos que entender!

No caso em concreto, alguém que já foi presidente de Câmara, como é óbvio, irá sempre ao passado para dar conta do que julga e considera que de bem fez, projectos, acções, políticas, etc., e ao passado mais recente e presente para criticar. Cada um revela a sua condição humana e política naquilo que profere, também nestas ocasiões, e servirá para memória futura. Nós, estamos focados no futuro! Não nos candidatamos contra ninguém! Candidatamo-nos por e para Aljezur!

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«Fiz parte de um colectivo que engrandeceu em muito os seus mandatos [de Manuel Marreiros], com imenso trabalho, que sempre lhe foi leal, colocando sempre e acima de tudo o melhor para o concelho»

CL – E como foi trabalhar enquanto vereador nos executivos liderados por Manuel Marreiros? Como foi o relacionamento?

JG – O melhor! Juntamente com outros, fiz parte de um colectivo que engrandeceu em muito os seus mandatos, com imenso trabalho, que sempre lhe foi leal, colocando sempre e acima de tudo o melhor para o concelho.

CL – Na sua opinião, o que leva Manuel Marreiros a candidatar-se, agora, numa lista de independentes? Como encara esta corrida eleitoral?

JG – É a democracia a funcionar!

CL – Já como presidente da Assembleia Municipal de Aljezur, Manuel Marreiros acabou por ser condenado pelos tribunais a quatro anos e três meses de prisão com pena suspensa e ao pagamento de 5.000 euros de multa à Almargem – Associação de Defesa do Património e do Ambiente do Algarve, pelo crime de prevaricação no licenciamento de obras na zona de Vale da Telha. Que avaliação faz deste processo judicial? Existe desconfiança do eleitorado nos autarcas de Aljezur?

JG – Não teço qualquer comentário a esse respeito!

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«Os Aljezurenses darão novamente uma maioria absoluta ao Partido Socialista!»

CL – Como pensa que poderá ser gerida a Câmara Municipal de Aljezur se nenhum candidato conseguir obter a maioria absoluta nas próximas eleições autárquicas. Será difícil, por exemplo, aprovar o orçamento anual do Município? E como será o relacionamento com Manuel Marreiros se ele for eleito?

JG – Os aljezurenses darão novamente uma maioria absoluta ao Partido Socialista! É essa a nossa convicção!

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«Março de 2020, aquando do início da pandemia, foi seguramente e está a ser o maior desafio da gestão e liderança da autarquia de Aljezur. (...) Fomos conseguindo ultrapassar as diversas dificuldades e adversidades que se nos colocaram e ainda se colocam»

CL – José Gonçalves afirmou em anteriores declarações ao CL que a Câmara de Aljezur nunca fechou portas, sempre esteve presente nos momentos difíceis a pensar no bem maior e nas pessoas. Quais foram os principais problemas que enfrentou neste período em que lidera a autarquia?

JG – Março de 2020, aquando do início da pandemia, foi seguramente e está a ser o maior desafio da gestão e liderança da autarquia de Aljezur. Nessa altura não sabíamos o que iria acontecer, enfrentávamos o desconhecido.

As dúvidas foram muitas, as prioridades alteraram-se, a incerteza de todos os dias. Com muito trabalho, em rede, fomos conseguindo ultrapassar as diversas dificuldades e adversidades que se nos colocaram e ainda se colocam.

Os vereadores que me acompanham, o pessoal do meu gabinete, as chefias e todos os trabalhadores, estiveram sempre presentes, que colocámos ao serviço dos munícipes e ao dispor de outras entidades, para que pudéssemos responder às necessidades, às mais diversas situações do dia-a-dia, sempre a pensar nas pessoas e sempre a pensar num bem maior a “vida humana”. Alterámos prioridades, deixámos projectos e execuções para mais tarde, para colocar toda a nosso energia nas nossas gentes, e julgo que temos respondido à altura. A “luz da autarquia” nunca se apagou.

Com o reforço dos apoios às entidades, locais nomeadamente à nossa corporação dos bombeiros, para que nenhum equipamento e material lhes faltasse no socorro e na sua missão, assim como à Casa da Criança, à Santa Casa da Misericórdia ao Agrupamento de Escolas de Aljezur. Apoiámos ainda as várias associações do Concelho, apoiámos a economia local e as pessoas, com várias medidas de isenções e descontos de taxas, assim como algumas medidas de apoio àqueles que estiveram, mais tempo sem ganhar dinheiro.

Tem sido um exercício “extraordinário”, que não sabemos quando terá fim, mas estamos preparados para acudir às pessoas, à economia, a situações que necessitem da nossa intervenção. As gentes de Aljezur, os empresários, as várias entidades, têm sido uns heróis, e este ano e meio de pandemia, irá ficar escrito na história do concelho, como um concelho de gente admirável, gente com muita força e acima de tudo gente com um amor ao próximo, que marca a diferença. O concelho que não parou, antes pelo contrário, soube seguir em frente.

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«Tenho a certeza que temos equipas muito capazes aos vários órgãos a que nos candidatamos»

CL – Referiu igualmente que tem projecto e equipa fantástica. São pessoas muito empenhadas, gente muito capaz, entre muitos jovens e menos jovens. Significa que o PS tem “tropas” para o presente e também para futuro? Sente que os aljezurenses confiam na vossa mensagem “Gente com Compromisso”?

JG – Tenho a certeza que temos equipas muito capazes aos vários órgãos a que nos candidatamos. Completámos todas as listas, não repetimos lugares. É uma equipa de 100 pessoas, e outras tantas ficaram de fora, mas que assumiram connosco o seu compromisso. A candidata mais nova tem 20 anos e o mais novo 22 anos (26 jovens com menos de 35 anos), a mais velha 78 e o mais velho 77, temos 55 homens e 45 mulheres, com uma média de idade de 44 anos, com as mais variadas formações, profissões e experiências de vida.

Os jovens são o futuro, eu comecei tinha 29 anos, quando me foi dada a honra e a oportunidade de fazer parte de uma candidatura em 3.º lugar à Câmara Municipal. Acredito muito nos jovens! Temos de chamar os jovens, dar-lhes oportunidade, responsabilidade e confiar. Sim, acredito nisso, e sairei um dia com toda a tranquilidade, e com a certeza que estes jovens saberão assumir no futuro, os destinos do concelho, porque escutaram, aprenderam e também ensinaram aos mais velhos.

Os aljezurenses sabem que "Gente com Compromisso" é confiável, é presente e será futuro!

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«Aljezur tem na juventude a sua mais-valia, o seu futuro»

CL – Nas listas do partido socialista, por entre rostos com experiência política aparecem igualmente caras novas, como por exemplo o filho do anterior presidente da autarquia, José Amarelinho, em quarto lugar para a Câmara Municipal. Tem algum significado especial?

JG – Nenhum ou então todo! Aljezur tem na juventude a sua mais-valia, o seu futuro, e considerámos que o José António Amarelinho, bem como a Joana Rosa, a Beatriz, a Leila, o Eugénio, o José Oliveira e tantos outros, corporizam o futuro da causa pública e do poder autárquico no nosso concelho. Aliás, com todos, mas particularmente com a Juventude vamos iniciar uma nova fase: regularmente manter reuniões, encontros, reflexões, grupos de trabalho, para pensar e aprofundar os grandes desafios do território e da vivência em comunidade, nas mais variadas áreas e temáticas.

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«Dotar os serviços municipais para responderem da melhor maneira aos desafios de uma administração moderna, eficiente e que vá ao encontro das necessidades dos munícipes» é prioridade

CL – Qual a primeira medida que o senhor tomará, a partir de Outubro, como presidente da Câmara Municipal de Aljezur e porquê?

JG – Adequar, alterar e dotar os serviços municipais para responderem da melhor maneira aos desafios de uma administração moderna, eficiente e que vá ao encontro das necessidades dos munícipes, das novas competências e preparar/executar a melhor estratégia para aproveitar ao máximo o Plano de Recuperação e Resiliência.

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Carlos Conceição

José Manuel Oliveira

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