(Z1) 2025 - CM de Vila do Bispo - Um concelho a descobrir
(Z4) 2026 - CM Lagos - Agenda de Eventos

Disparidade salarial atinge 15%, com maior desemprego entre mulheres

Disparidade salarial atinge 15%, com maior desemprego entre mulheres

Análise Claire Joster: Dia Internacional da Mulher

Apesar das barreiras, dados sinalizam mudança no mercado de trabalho: presença feminina é agora de 22% no setor da Construção

No âmbito do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, a Claire Joster People first, empresa do Grupo Eurofirms People first, especializada em Executive Search, analisou os indicadores mais recentes do mercado laboral português. Embora a população ativa feminina tenha atingido um recorde histórico de 2,8 milhões de mulheres no último trimestre de 2025, representando um crescimento de 2,6% face ao ano anterior, as barreiras estruturais permanecem evidentes. A taxa de desemprego feminina (6,5%) continua a ser superior à dos homens (6%), refletindo dificuldades persistentes na integração plena do talento feminino e evidenciando uma maior dificuldade na absorção do talento feminino pelo mercado laboral.

Quebra de estereótipos: Construção e Imobiliário em crescimento

A análise revela também uma mudança gradual na distribuição ocupacional. Se, por um lado, as atividades de saúde humana e apoio social continuam a ser o principal empregador feminino, representando 16,7% do total de mulheres empregadas, verificam-se subidas expressivas em áreas tradicionalmente masculinas. A presença feminina no setor da construção disparou 22,2% e nas atividades imobiliárias cresceu 16,9%, sinalizando uma nova dinâmica na ocupação de funções habitualmente segregadas.

Dinamismo regional: Madeira e Centro lideram crescimento

O aumento da participação feminina no mercado de trabalho revela um país a várias velocidades, com a Região Autónoma da Madeira e a região Centro a registarem os crescimentos mais expressivos da população ativa feminina no último trimestre de 2025, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente. Por sua vez, o Algarve registou um crescimento de 3,9% e a Grande Lisboa 3,2%, mantendo uma trajetória de subida sólida. Em contraste, apresenta-se com um ritmo mais moderado o Alentejo, com aumento de 1%, e o Norte, na ordem de 0,8% de crescimento.

Apesar destas variações, os dados do INE confirmam que Portugal caminha para uma representação paritária em termos de volume de força de trabalho em quase todo o território. Atualmente, a média nacional de mulheres na população ativa fixa-se nos 49,5%, sendo que em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve as mulheres já representam metade ou a maioria da população ativa.

Este cenário de equilíbrio quantitativo acentua o contraste com as desigualdades que persistem ao nível qualitativo, nomeadamente na remuneração e no acesso a cargos de decisão.

O fosso salarial e as barreiras no acesso à gestão

A remuneração continua a ser um dos principais campos de desigualdade, com as mulheres a ganharem, em média, 15,4% menos do que os homens. Este desequilíbrio é particularmente crítico em funções onde a desigualdade de género é mais acentuada: nos postos de operação de instalações e máquinas, as mulheres ganham menos 25%; nas funções de técnicos e profissões de nível intermédio, a disparidade é de 22,3%; já nos cargos de direção e gestão, a diferença salarial atinge os 18,7%.

Eurofirms destaca-se com 81% de liderança feminina

Contrariando a tendência do mercado nacional, os dados internos do Grupo Eurofirms em Portugal revelam um cenário de paridade efetiva: atualmente, 76% dos cargos da multinacional são ocupados por mulheres.

Esta representatividade é ainda mais expressiva nos níveis de tomada de decisão, onde a liderança feminina representa 81%, garantindo um acesso significativo a funções de responsabilidade. A análise interna sugere, ainda, que a consolidação da paridade se afirma sobretudo nas fases mais avançadas da carreira, observando-se um equilíbrio maior nos cargos de liderança sénior, entre os profissionais com mais de 50 anos.

Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, “os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento”. “No entanto, na Eurofirms, apresentamos 81% de liderança feminina, demonstrando que a competência não tem género e que a equidade é um pilar fundamental para o sucesso e sustentabilidade de qualquer organização”, reforça a National Leader.

  • PARTILHAR   

Outros Artigos