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Tratamento com células estaminais abre novas possibilidades na diabetes tipo 1

Tratamento com células estaminais abre novas possibilidades na diabetes tipo 1

Os resultados de um ensaio clínico recente indicam que as células estaminais mesenquimais podem vir a ser um potencial tratamento para a diabetes tipo 1. Estima-se que mais de 13 por cento dos portugueses, entre os 20 e os 79 anos, vivem com a diabetes.

A diabetes tipo 1 está a aumentar, tanto em adultos como em crianças.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, a doença é um dos problemas de saúde global do século XXI com crescimento mais rápido – dos actuais 537 milhões de diabéticos, devemos passar a 643 milhões, em 2030, e alcançar os 783 milhões, em 2045.

Os doentes com diabetes tipo 1 dependem da administração diária de insulina ao longo da sua vida, o que pode levar à progressiva resistência do organismo e à sua perda de eficácia, gerando a necessidade de investigação pela procura de novas abordagens terapêuticas.

Pela capacidade de regularem a atividade do sistema imunitário e poderem preservar a função das células produtoras de insulina, as células estaminais mesenquimais têm vindo a ser testadas em contexto de diabetes tipo 1”, explica Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal. “Foi esta a base para a realização de um novo ensaio clínico, que procurou averiguar a eficácia da administração intravenosa de células estaminais mesenquimais a doentes com diabetes tipo 1”, acrescenta.

Neste ensaio, que teve duas fases, participaram 21 doentes recentemente diagnosticados com diabetes tipo 1, divididos em dois grupos. Inicialmente, o grupo A recebeu duas doses de células estaminais mesenquimais, e o grupo B recebeu solução salina (placebo). Após um ano, os participantes tratados com células estaminais receberam placebo, e vice-versa.

A segurança do tratamento experimental foi avaliada nos dois anos seguintes, não tendo sido registados efeitos adversos graves decorrentes da administração de células estaminais, e tendo o procedimento sido considerado seguro.

Comparando os resultados de ambos os grupos, verificou-se que o tratamento com células estaminais esteve associado a um melhor controlo dos níveis de glicémia, ao aumento dos níveis de moléculas anti-inflamatórias no sangue e, segundo os questionários respondidos pelos participantes, a melhorias na sua qualidade de vida. A análise comparativa dos resultados do grupo que recebeu células estaminais por altura do diagnóstico, com os do grupo tratado um ano depois, revelou que a administração destas células numa fase mais precoce parece ser mais vantajosa.

O exercício físico regular foi outro parâmetro avaliado. Os participantes que realizaram mais de três horas e meia de exercício físico por semana, adicionalmente à terapia com células estaminais, registaram uma diminuição significativa dos níveis de hemoglobina glicosilada (o que indica um melhor controlo da glicémia), e aumentaram a quantidade de insulina endógena, comparativamente com os que não praticaram exercício físico dentro dos níveis recomendados.

Os resultados deste ensaio clínico indicam que as células estaminais mesenquimais da medula óssea têm efeitos benéficos em crianças com diabetes tipo 1, sobretudo se forem administradas numa fase precoce. Trata-se de um tratamento em fase experimental, sendo necessário realizar mais estudos que permitam a sua optimização, de forma a que este possa ser incorporado na prática clínica.

Para aceder aos estudos científicos mais recentes sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o Blogue de Células Estaminais.

Referências:

Izadi M, et al. Mesenchymal stem cell transplantation in newly diagnosed type-1 diabetes patients: a phase I/II randomized placebo-controlled clinical trial. Stem Cell Res Ther. 2022 Jun 20;13(1):264.

Raposo JF. Diabetes: factos e números 2016, 2017 e 2018. Revista Portuguesa de Diabetes. 2020. 15(1): 19-27. https://www.spmi.pt/pandemia-agravou-numero-de-diabeticos-nao-diagnosticados/

https://idf.org/aboutdiabetes/what-is-diabetes/facts-figures.html

Sobre a Crioestaminal

A Crioestaminal, com 19 anos de existência, foi pioneira na criopreservação de células estaminais em Portugal, sendo o maior banco da Península Ibérica, e integra actualmente o maior grupo europeu da área, que conta com mais de 530 mil amostras recolhidas e guardadas. Conta também, com o maior número de amostras resgatadas e transplantes realizados, com mais de 120 utilizações de amostras de sangue do cordão umbilical, 19 das quais com amostras guardadas pela Crioestaminal. Promove um trabalho de referência na terapêutica com células estaminais, com quatro patentes internacionais registadas e vários projectos de investigação em curso. Investe, anualmente, cerca de 10% do seu volume de negócios em Investigação e Desenvolvimento. A Crioestaminal é acreditada internacionalmente para o processamento do sangue e do tecido do cordão umbilical pela Association for the Advancement of Blood & Biotherapies (AABB) e tem desenvolvido estratégias de acessibilidade de modo que mais famílias tenham acesso ao serviço. Além de guardar as células estaminais das famílias para o tratamento de doenças, a Crioestaminal promove a possibilidade de acesso a tratamentos inovadores com células estaminais, estando a desenvolver projectos para o desenvolvimento de novos medicamentos.

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