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Questões culturais e socioeconómicas impedem igualdade de género no acesso a cuidados ao nível da deficiência visual

Questões culturais e socioeconómicas impedem igualdade de género no acesso a cuidados ao nível da deficiência visual

A prevalência de deficiência visual e cegueira é superior nas mulheres do que nos homens. Esta diferença acentua-se com a idade e na sua maioria não é devido a factores intrínsecos das causas, mas sim a factores culturais e socioeconómicos. Esta é uma das conclusões que se retira dos estudos recentemente publicados na The Lancet Global Health pelo grupo internacional de peritos sobre a perda de visão, Vision Loss Expert Group (VLEG) e do Instituto de Avaliação e Métricas em Saúde da Universidade de Washington, que conta com dois investigadores Optometristas portugueses, sobre o peso global das causas e prevalência da deficiência visual.

Os estudos, Causes of blindness and vision impairment in 2020 and trends over 30 years, and prevalence of avoidable blindness in relation to VISION 2020: the Right to Sight: an analysis for the Global Burden of Disease Study; e Trends in prevalence of blindness and distance and near vision impairment over 30 years: an analysis for the Global Burden of Disease Study analisam com uma profundidade, dimensão e detalhe nunca antes atingido, o peso e relevância das diferentes causas de deficiência visual e cegueira no mundo, incluindo Portugal.

As limitações no acesso a cuidados para a saúde da visão e as dificuldades económicas de acesso aos tratamentos, inclusive óculos e/ou lentes de contacto, representam um estrangulamento no orçamento individual e familiar no momento de decidir e procurar soluções para as dificuldades de visão. Por diferentes contextos culturais e socioeconómicos, é menos provável as meninas/mulheres verem a sua deficiência visual avaliada e tratada, resultando numa maior prevalência de deficiência visual e/ou cegueira evitável em todas as causas no sexo feminino, com excepção do glaucoma. Esta deficiência visual e/ou cegueira resulta na limitação de desenvolvimento de todo o potencial das meninas e na perda de autonomia e capacidade produtiva das mulheres, traduzindo-se em consequências fundamentais na sua independência e autonomia. Este desequilíbrio é ainda mais evidente com o aumento da idade.

Vera Carneiro e Raúl Alberto de Sousa, Optometristas e Colaboradores do IHME/Global Burden Disease enfatizam a importância da boa visão na promoção da igualdade de género, no desenvolvimento individual e da sociedade: «Assegurar boa visão é assegurar o acesso à igualdade de oportunidades». É esta uma das mais valias da implementação das recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre a integração e planeamento da força de trabalho dos cuidados para a saúde da visão, desde os cuidados primários aos cuidados hospitalares e de reabilitação.

Cerca de 5 milhões de portugueses sofrem de erro refractivo, a maior causa de deficiência visual evitável. Os(as) Optometristas são os(as) especialistas com formação mais aprofundada e detalhada para diagnosticar e tratar o erro refractivo, desempenhando um papel fundamental na prestação de cuidados primários para a saúde da visão de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, com as quais o Estado Português se comprometeu e ainda estão por implementar. Até lá, estima-se que cada vez mais portugueses e portuguesas irão ver pior o seu presente e futuro.

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