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Portugal entre os países com maior aumento da incidência de cancro da mama em mulheres mais jovens

Portugal entre os países com maior aumento da incidência de cancro da mama em mulheres mais jovens

Nas últimas duas décadas, a incidência de cancro da mama nas mulheres mais jovens aumentou em toda a UE. Portugal está entre os países com maior crescimento, segundo a OCDE e a Comissão Europeia1

O cancro da mama está a tornar-se mais frequente nas mulheres mais jovens (com menos de 50 anos). Entre 2000 e 2022, a incidência da doença nesta faixa etária aumentou, em média, 16% na União Europeia e Portugal é apontado como um dos países onde mais cresceu, de acordo com o relatório da OCDE e da Comissão Europeia (European Cancer Inequalities Registry, 2026)1. Uma tendência que a ciência confirma estar a acontecer, de forma sustentada, nos países ocidentais2.

O cancro da mama é o segundo cancro mais diagnosticado no mundo e em Portugal, sendo o mais diagnosticado nas mulheres3,4. De acordo com o Global Cancer Observatory, em 2024 foram diagnosticados em Portugal cerca de 9.100 novos casos de cancro da mama e morreram cerca de 2.101 pessoas com este tipo de tumor4. A mortalidade tem vindo a diminuir nos países ocidentais, sobretudo graças ao diagnóstico mais precoce e à evolução dos tratamentos5. Ainda assim, o cancro da mama é, a par do cancro da tiroide, um dos tumores mais frequentes nas mulheres mais jovens1, e a tendência de aumento nesta faixa etária tem preocupado os especialistas.

Segundo a OCDE, em comparação com o ano 2000, a incidência de cancro da mama ajustada à idade entre mulheres jovens aumentou 8,7 casos por 100 000 mulheres

(de 53,3 para 62,0 casos por 100.000), com Portugal entre os países onde o crescimento foi mais acentuado1. Um estudo publicado em 2025 na revista The Breast, com base nos registos oncológicos nacionais franceses, mostra a dimensão desta tendência: entre 1990 e 2023, a taxa de incidência de cancro da mama nas mulheres aos 30 anos passou de 16,1 para 26,3 casos por 100.000 pessoas-ano e, aos 40 anos, de 98,7 para 131,2 por 100.000 pessoas-ano2.

Nas mulheres mais jovens, o cancro da mama tende a ser diagnosticado em fases mais avançadas, em parte porque ainda não estão abrangidas pelos programas de rastreio e porque os sintomas são, por vezes, desvalorizados, associando-se com maior frequência a subtipos biologicamente mais agressivos, como o triplo-negativo6,7. Enfrentam ainda um maior risco de recidiva nos cinco a dez anos após o tratamento, e apresentam mais frequentemente características que podem contribuir para prognósticos e resultados menos favoráveis7.

Um diagnóstico nesta fase da vida acarreta ainda desafios que vão muito além da doença. A fertilidade é uma preocupação central: muitos tratamentos podem afetar de forma temporária ou permanente, e a menopausa precoce induzida pelos tratamentos tem impacto físico, sexual e emocional7,8. A estes juntam-se a rutura de percursos profissionais, a instabilidade económica, o isolamento social8. Consequências que se prolongam no tempo: a própria OCDE alerta que o aumento dos diagnósticos em idades jovens terá custos duradouros, em perda de produtividade e de participação no mercado de trabalho1.

“O cancro da mama na mulher jovem é, muitas vezes, uma doença diferente: surge numa fase da vida em que ninguém está à espera de um diagnóstico destes, tende a ser mais agressivo e é frequentemente detetado mais tarde. Falar abertamente sobre este tema é essencial para que nenhuma mulher desvalorize um sinal de alerta apenas por se considerar demasiado jovem. Conhecer o corpo, estar atenta às mudanças e procurar avaliação médica são passos que podem fazer toda a diferença”, refere o Prof. Doutor Luís Costa, oncologista e membro da direção da Breast Cancer in Young Women Foundation.

“Um diagnóstico de cancro da mama em idade jovem muda tudo de um dia para o outro (o corpo, os planos, a vida profissional e familiar). Ninguém deve enfrentar esta doença sozinho. Partilhar experiências e saber que existe uma comunidade e uma rede de apoio faz toda a diferença para quem está a viver este percurso”, refere Miriam Brice, da Associação Careca Power.

O alargamento do programa nacional de rastreio do cancro da mama às mulheres a partir dos 45 anos (e até aos 74), em vigor desde 2025, veio dar resposta a parte desta realidade, permitindo uma deteção mais precoce e, potencialmente, um melhor prognóstico9. Ainda assim, os especialistas sublinham que, abaixo dessa idade, a atenção aos sinais e sintomas e a avaliação do risco individual continuam a ser essenciais.6

“Sabemos hoje que o cancro da mama é uma doença heterogénea e que, por isso, ‘o meu cancro pode ser diferente do teu’. Cada tumor tem características próprias e, à medida que surgem novas ferramentas de diagnóstico, biomarcadores e tratamentos, é essencial integrar esta inovação com a melhor evidência científica e com rigor na prática clínica. É igualmente crucial aumentar a literacia para que cada mulher compreenda o seu tipo de cancro e saiba que perguntar ao médico sobre as características da sua doença pode fazer toda a diferença na decisão partilhada sobre o tratamento e no seu prognóstico” reitera a Dr.ª Gabriela Sousa, Presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia.

É neste contexto que a campanha “O Meu é Diferente do Teu”, promovida pela AstraZeneca e pela Daiichi Sankyo, dedica a sua 4.ª edição ao cancro da mama nas idades mais jovens. A iniciativa decorre durante o Outubro Rosa e tem como parceiros a Associação Careca Power, a Associação EVITA – Cancro Hereditário, a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Sociedade Portuguesa de Senologia, a Sociedade Portuguesa de Oncologia e a Breast Cancer in Young Women Foundation.

Com o mote “Se somos todas diferentes, porque é que o nosso cancro há de ser igual?”, a Campanha “O Meu é Diferente do Teu” vem também sublinhar a existência de subtipos moleculares de cancro da mama, com diagnósticos, prognósticos e abordagens diferentes.

“A mensagem da campanha ‘O Meu é Diferente do Teu’ traduz uma realidade fundamental: cada caso de cancro da mama é único e exige uma resposta adequada às necessidades de cada pessoa. Mas combater esta doença começa muito antes do tratamento: passa pela prevenção, pela literacia em saúde e pelo diagnóstico precoce, através do rastreio e da atenção aos sinais e sintomas, particularmente nas mulheres mais jovens. Ao longo de todo este percurso, é essencial assegurar uma abordagem integrada e centrada na pessoa, que permita decisões partilhadas e cuidados ajustados às suas necessidades”, sublinha o Dr. Nuno Bonito, Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.

Durante o mês de outubro, a Campanha é ativada nas redes sociais com a partilha de informação útil e prática sobre os subtipos de cancro da mama, diferentes estádios da doença e outras informações relevantes, através de vídeos, testemunhos e conteúdos educativos com o objetivo de promover a prevenção, aumentar o conhecimento e dar voz a todos os que vivem com cancro da mama.

Referências

1. OECD/European Commission (2026). Delivering High Value Cancer Care: European Cancer Inequalities Registry Analytical Report. OECD Publishing, Paris. Dados sobre cancro da mama nas mulheres mais jovens: Capítulo 2. DOI: 10.1787/060869fe-en. Disponível em: https://doi.org/10.1787/060869fe-en. Acedido em outubro de 2026.

2. Pujol P, Remontet L, Lapôtre-Ledoux B, et al. Increasing incidence of breast cancer in young women over time. The Breast. 2025;83:104555. DOI: 10.1016/j.breast.2025.104555.

3. Globocan 2024. World Fact Sheet. Disponível em https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/populations/900-world-fact-sheet.pdf . Acedido em outubro de 2026.

4. Globocan 2024. Portugal Fact Sheet. Disponível em https://gco.iarc.who.int/media/globocan/factsheets/populations/620-portugal-fact-sheet.pdf Acedido em outubro de 2026.

5. Registo Oncológico Nacional. (s.d.). Epidemiologia do cancro da mama. Ministério da Saúde. Disponível em: https://ron.min-saude.pt/pt/tumor/top5/mama/epidemiologia/. Consultado em outubro de 2026.

6. National Breast Cancer Foundation. Breast cancer in young women. Disponível em: https://www.nationalbreastcancer.org/breast-cancer-in-young-women. Acedido em outubro de 2026.

7. Breast Cancer Research Foundation. 5 Facts about breast cancer in young women. Disponível em: https://www.bcrf.org/about-breast-cancer/breast-cancer-young-women/. Acedido em outubro de 2026.

8. Breast Cancer in Young Women Foundation. Vision / Unique Challenges. Disponível em: https://breastcancerinyoungwomen.org/vision/. Acedido em outubro de 2026.

9. Liga Portuguesa Contra o Cancro. Programa de rastreio de cancro da mama. Disponível em: https://www.ligacontracancro.pt/servicos/detalhe/url/programa-de-rastreio-de-cancro-da-mama/. Consultado em outubro de 2026.

lpmcom

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