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Movimento pede que cuidadores informais tenham prioridade na vacinação contra a Covid-19

Movimento pede que cuidadores informais tenham prioridade na vacinação contra a Covid-19

Movimento Cuidadores Informais defende que «um cuidador informal infectado é incapaz de manter os cuidados que presta, podendo ainda infectar a pessoa de quem cuida».

As pessoas que, em Portugal, se dedicam a cuidar familiares ou outras pessoas com laços afectivos, designam-se por cuidadores informais. O movimento defende que muitas vezes estes são «invisíveis quando se trata de apoios para a tarefa que desempenham» e voltam a ser «invisíveis no momento da selecção dos grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19». Neste sentido, alerta para a situação e repete o apelo para que estes profissionais não sejam esquecidos.

«Facilmente percebemos que se os cuidadores informais ficarem infectados ficam impossibilitados de cuidar. Mas as consequências não ficam por aqui: um cuidador doente sobrecarrega duplamente o Serviço Nacional de Saúde (SNS), já de si em grande sobrecarga», afirma Bruno Alves, Executive Board Member da Eurocarers, Bruxelas e coordenador nacional da Cuidadores Portugal, Sílvia Artilheiro Alves, Presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI) e ainda Nélida Aguiar, na qualidade de cuidadora informal e também membro da Direcção da ANCI e da Eurocarers.

Defendem que «igualmente, um cuidador infectado aumenta a probabilidade de infecção da pessoa cuidada» e questionam ainda: «Já basta o isolamento, a dificuldade de acesso aos serviços de Saúde e sociais, imagine-se agora a angústia dos cuidadores, se ficam infectados pela Covid-19: quem cuida deles e da pessoa cuidada?».

A questão foi colocada em Julho de 2020, ao Ministério da Saúde, a quem se apelou para incluir os cuidadores informais no grupo prioritário de vacinação. A resposta chegou em Janeiro passado, quando o então coordenador da Task Force do Plano de Vacinação contra a Covid-19, Francisco Ramos, informava que estes cuidadores não foram incluídos na primeira fase.

O movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, composto por quase três dezenas de associações de cuidadores e doentes de todo o país, pede a decisão seja reavaliada e reforça que «numa óptica de uma estratégia de melhor planeamento e alívio da sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde, importa repensar se os cuidadores informais não deverão integrar o grupo prioritário. E se é importante vacinar os cuidadores formais, como os profissionais de saúde, porque estão na linha da frente, os cuidadores informais também estão! Embora revestidos com um manto de invisibilidade, são também uns verdadeiros heróis! Com os condicionamentos da pandemia, prestam um maior número de horas de cuidados, sem os apoios que gostariam».

Bruno Alves enfatiza «a confiança que existe no SNS« e «não tem dúvida que todos serão vacinados, a questão é quando», sendo que este timing pode fazer toda a diferença na vida do cuidador, da pessoa cuidada e nos sistemas sociais e de Saúde».

Nélida Aguiar é também cuidadora informal e considera a não inclusão de cuidadores, como ela, na primeira fase de vacinação «uma afronta» e um símbolo de «total desrespeito por aqueles que lidam diariamente com inúmeras situações de dependência e limitações, e que são considerados o grande apoio na saúde dos que deles dependem sem serem reconhecidos ou profissionais». E continua: «Enquanto cuidadora, pesa-me a responsabilidade constante de não poder adoecer, nem ser infectada, por não ter apoio de retaguarda que continue a apoiar os que de mim dependem». Assim, reclama mais apoios, aqueles que, na sua opinião o Estatuto do Cuidador Informal deveria garantir.

«Continuamos a sentir as grandes dificuldades diárias que nos levam a enfrentar enormes sobrecargas (emocionais e físicas)», acrescenta Nélida, recordando que, «com a pandemia, verifica-se ainda mais a escassez de cuidados formais, o que faz recair a responsabilidade e uma grande sobrecarga dos cuidados sobre a família, desresponsabilizando o Estado e a própria comunidade».

Bruno Alves, Sílvia Artilheiro Alves e Nélida Aguiar admitem a dificuldade de vacinar todos os cuidadores informais, tendo em conta os problemas na identificação e reconhecimento dos cuidadores a nível nacional. «Uma possibilidade para contornar em parte esta situação poderia passar por vacinar todos os cuidadores que recebem o complemento por dependência e subsídio de 1.º e 2.º grau, bem como os cuidadores que as equipas de saúde identifiquem no domicílio e, em particular, com problemas de saúde crónicos».

Vacinar não só os cuidadores, mas também a pessoa cuidada, traduzir-se-á em ganhos para todos. Além disso, e segundo o movimento de Cuidadores Informais, se o trabalho dos cuidadores informais fosse exclusivamente realizado pelos cuidadores formais, corresponderia a um incremento da despesa pública equivalente a 4 mil milhões de euros.

Para aceder a mais informações sobre o movimento Cuidar dos Cuidadores Informais clique aqui.

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