O ‘deserto de notícias’ afeta metade dos concelhos do país

A ANIR-Associação Nacional de Imprensa Regional, realizou um Encontro Nacional no passado dia 29 de novembro em Pombal.
O painel dedicado ao tema do “preocupante deserto de notícias” integrou o programa do Encontro Nacional da Imprensa Regional e reuniu vários intervenientes para debater a situação da comunicação social local e regional em Portugal. A conclusão, generalizada, foi que a democracia não sobrevive sem imprensa livre, além de ter sido consensualmente lamentado o silêncio crescente nos jornais regionais e a imprensa de proximidade, os quais são fundamentais à coesão territorial e ao Portugal democrático.
Ao longo da discussão, foram abordadas as dificuldades enfrentadas pelos órgãos de comunicação social de proximidade e o impacto do desaparecimento de jornais e rádios locais em vários territórios. Durante o painel foi referido que “sem imprensa local não há democracia local”, sublinhando-se a importância destes meios para a vida das comunidades.
“Sem imprensa local não há democracia local, pelo menos uma democracia que possamos chamar de verdadeira, porque não existe igualdade de oportunidades, nem escrutínio, nem debate; acredito profundamente que a informação é essencial para a vida cívica e que a ausência de jornais enfraquece todo o território”.
Foram também apresentados dados relativos à existência de concelhos sem qualquer órgão de comunicação social com produção regular de notícias, situação que foi considerada preocupante pelos participantes. No debate foi ainda salientado que “quando desaparece o jornal local, desaparece também um espaço essencial de proximidade com as populações”.
“A imprensa regional foi sempre um pilar de igualdade de oportunidades entre cidadãos, porque permitiu que todos soubessem o que se passava no seu território; quando esse pilar falha, aumentam as assimetrias e diminuem os mecanismos de controlo democrático.”
Outro dos aspetos referidos durante a discussão prendeu-se com o papel da comunicação institucional e das redes sociais, tendo sido defendido que “a comunicação institucional não substitui o jornalismo”, por não assegurar contraditório nem escrutínio independente.
No painel foi igualmente referido que “não pode haver cidadãos de primeira e de segunda no acesso à informação”, defendendo-se a necessidade de garantir condições para que a comunicação social regional continue a cumprir o seu papel junto das populações.
Legenda
Participaram nestes painéis os deputados, em representação dos respetivos grupos parlamentares, Maurício Marques (GP PSD), André Rijo (GP PS), Ana Rita Silva (vereadora pelo CDS da Câmara Municipal de Alcobaça, José Miguel Medeiros, ex-autarca e deputado (PS) e o investigador Giovanni Ramos (Labcom-UBI).



