Lagos Mais Verde – urgência de estratégia e planeamento por parte da Câmara Municipal em articulação com outros parceiros defensores do ambiente

Quando entramos na Primavera, comemorando o Dia da Árvore, decorrendo a Semana Verde 2026 com diversas iniciativas que se saúdam, emergem vastas críticas ao abatimento de árvores em Lagos. Porém, é já recorrente desconformidades na gestão das plantas, quer no abatimento quer na falta de cuidados essenciais como aconteceu com as palmeiras. O Correio de Lagos deu nota da problemática do “escravelho”, outrora com tratamento adequado e vigilância apertada, até que “certos chamados técnicos deixaram apodrecer um conjunto alargado de palmeiras e consequentemente “toca a abater”. Todavia, em vários locais esqueceram-se de plantar novas árvores, não só para embelezar os locais, mas igualmente para trazer mais saúde às pessoas. Repetimos o exemplo da Urbanização Marina Sol, em que falta ainda repor quatro palmeiras, mas multiplicam-se os casos espalhados pela cidade.
Recorremos ao artigo publicado pelo Movimento Lagos mais Verde, no dia 28 de Março de 2026, que ilustra a situação negativa que acontece em Lagos.
“Árvores urbanas: porque são tão importantes e porque devem ser protegidas
Em fevereiro, assistimos ao abate de várias árvores adultas em diferentes zonas da cidade de Lagos, deixando áreas, incluindo o centro histórico, mais expostas ao calor e sem sombra.
Agora, voltamos a assistir a novos abates na estrada de acesso à marina de Lagos
A justificação apresentada pela Câmara Municipal de Lagos tem sido: árvores doentes ou em risco de queda.
Importa, por isso, colocar o risco em perspetiva:
As quedas de árvores são eventos raros e localizados, principalmente em eventos extremos.
Já o calor extremo é hoje uma das principais ameaças à saúde pública nas cidades.
Só numa onda de calor recente na Europa, foram estimadas cerca de 2.300 mortes em apenas 10 dias.
As árvores são uma das formas mais eficazes de reduzir esse risco pois baixam a temperatura
Remover árvores não é neutro, agrava um problema maior.
E para o argumento de risco de queda, há alternativas!
Existem soluções técnicas utilizadas noutras cidades que permitem reduzir o risco de queda, sem abater árvores adultas (ver fotos no post):
— sistemas de estabilização
— cabos de suporte
— escoras
— manutenção adequada (podas corretas e espaço radicular suficiente)
Plantar novas árvores não chega.
Preservar uma árvore adulta é, muitas vezes, tão ou mais valioso do que plantar uma nova.
Uma árvore madura já está a cumprir funções essenciais para a nossa sobrevivência:
— produz mais oxigénio
— captura e armazena carbono
— retém e regula a água no solo
— suporta biodiversidade
— fornece sombra imediata
— filtra poluentes do ar, contribuindo para a nossa saúde
— reduz o vento, o ruído e o impacto de cheias
Colocando tudo na balança, há que refletir... Faz sentido abater tantas árvores antes do verão, todas ao mesmo tempo, sem tempo de se considerar as alternativas?
Faz sentido abater árvores em tempo de nidificação, quando é extremamente desaconselhado por poder ir contra as diretrizes europeias? Não, não faz. As árvores são um ser vivo essencial à nossa sobrevivência, e merecem respeito!
Uma árvore jovem levará décadas a oferecer os mesmos benefícios ecológicos que uma árvore adulta já garante hoje.
Por outro lado, muitas destas árvores não apresentavam sinais evidentes de doença e estavam ali há décadas sem registo de incidentes.
Por isso, é fundamental esclarecer:
Onde estão os relatórios técnicos?
Porque não foram consideradas alternativas ao abate?
O que defendemos é simples:
— Mais informação e transparência
— Avaliação caso a caso
— Uso de alternativas ao abate
— Identificação e Proteção das árvores de grande porte
— Práticas adequadas de plantação e espaço radicular suficiente
- Educação ambiental
Sem árvores maduras, os impactos dos eventos climáticos extremos tornar-se-ão cada vez mais graves!
Cuidar das árvores é cuidar das pessoas.”
É tempo de a autarquia analisar cuidadosamente esta situação, reflectir, tomar decisões, definir estratégias com um planeamento rigoroso colocando os técnicos de ambiente no bom caminho.







