A oposição em Odiáxere não se fará na Assembleia de Freguesia

Manuel Catarino
Nas autárquicas de 2021, a Assembleia de Freguesia de Odiáxere (AFO) era composta por 6 eleitos do PS, 1 do Lagos Com Futuro (LCF, coligação do Nós Cidadãos e do PAN), 1 do PSD e 1 da CDU (Partido Comunista Português e Partido Ecologista Os Verdes); pelas eleições de 2025, é agora composta por 5 do PS, 2 do Chega, 1 da AD (PSD/CDS-PP; homem do patronato, amigo do Chega e fundador da UGT, central sindical amiga dos patrões – ex. da generalização do banco de horas) e 1 do LCF.
As consequências estão aí: a AFO deixou de ter oposição. No início da primeira reunião deste mandato, em dezembro, o Chega apresentou a única proposta discutida no início, sobre o Viver o Verão, proposta essa que se trata de uma cópia (e «coxa») das propostas que a CDU apresentou em setembro de 2024 e junho de 2025…
O mesmo Chega que, sempre de boca cheia contra o PS (e o PSD, de onde Ventura veio) pediu a palavra para dar os parabéns à recém empossada Junta de Freguesia de Odiáxere (JFO, do PS) pelo trabalho desenvolvido…
Por sua vez, a AD pouco ou nada disse. Para lá de algumas observações de pormenor, não se escutou qualquer proposta, e muito menos uma visão, alternativa. E quanto ao LCF, nem se deixou ouvir…
Sobre o que é realmente fundamental, sobre o rumo para Odiáxere, não se discutiu absolutamente nada. Apesar de a Presidente da JFO ter dito que há falta de pessoal e que vai receber 2 trabalhadores através de contratos precários (entre 2021 e 2025 foram gastos pela JFO mais de 30.500€ para contratar 16 trabalhadores precários) e de o mapa de pessoal continuar a referir a mobilidade de 2 operacionais para técnicos, que deveria ter ocorrido em 2024 – o mapa de pessoal foi aprovado por unanimidade, sem que a «oposição» tivesse dito uma palavra.
Quanto aos importantíssimos orçamento e plano plurianual de investimentos (PPI), o mesmo: ambos aprovados sem que alguém da autodenominada oposição tenha levantado qualquer questão.
Quanto às Grandes Opções do Plano (GOP) – com tanto que há para dizer! -, para lá de 3 assuntos (de que não se tira importância, como por ex. o polo de leitura ou a rotunda poente, que até já foram objetos de propostas da CDU), não se falou de qualquer visão alternativa. Já para não falar de votações estranhas, como os votos contra do Chega ao orçamento e ao PPI, tendo votado a favor do mapa de pessoal e se abstido nas GOP, sem qualquer explicação…
No mandato anterior, as reuniões da AFO duravam horas. A de dezembro, que é a mais importante do ano, durou cerca de uma hora…
A continuar assim, a atual «oposição» reduzirá as reuniões da AFO a um mero formalismo, contribuindo para o rumo, que hoje se vive, de empobrecimento da democracia.



