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O que é feito de si? – com José Bandarra

O que é feito de si? – com José Bandarra

Grande Reportagem Exclusiva na edição impressa de Junho do jornal Correio de Lagos!

“O que é feito de si?” é mais uma nova rubrica do CL, que pretende trazer à memória ilustres figuras lacobrigenses. Rostos que fizeram história na política, no seu percurso profissional e no associativismo, e que ainda mantêm a chama viva. Recorde-se que o primeiro entrevistado foi Eurico Correia, na edição de Abril, seis meses volvidos, foi a vez de Manuel Montes. Agora, em Junho de 2020, o nosso convidado é o conhecido e multifacetado José Bandarra.

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Profissional de saúde de referência, “artista multifacetado”, rosto do associativismo, uma costela política e outras actividades por desvendar

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Correio de Lagos – Qual foi a sensação que teve na hora de passar à reforma?

José Bandarra – É uma sensação boa e o sentimento do dever cumprido.

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CL - Foram muitos anos nas Farmácias de Lagos, com algumas mudanças, mas sobretudo sempre disponível para os clientes. Quais os momentos mais marcantes que guarda pela positiva e eventualmente outros menos bons?

JB – Sim, foram muitos anos (55), em que guardo o carinho e o prazer de ter conhecido muitas pessoas, e de ter feito grandes amigos.

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CL – Considera que os profissionais “farmacêuticos” estão bem pagos?

JB – Eu, pessoalmente, estava bem pago, mas de um modo geral, tanto técnicos de farmácia e farmacêuticos, estão muito mal pagos.

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«(…) gosto muito do Hugo Pereira. Nestes cargos, nem sempre se consegue agradar a todos. Eu dou nota dez»

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CL – Que balanço faz do estado da saúde em Lagos?

JB – De um modo geral, o estado de saúde é razoável. Nem tudo está bem, mas as instituições vão funcionando. Para que tudo melhorasse era necessário um Hospital novo que servisse toda a costa vicentina. Sei que um Hospital não melhora a saúde, mas dá muita confiança a quem é doente.

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CL – Ainda na área da saúde. mas também no associativismo, como foi a experiência na qualidade de massagista?

JB – Foi uma experiência gratificante durante 21 anos no Clube Desportivo de Odiáxere, onde arranjei muitos amigos, um deles foi o Betes a quem muito agradeço a ajuda que me deu. Onde quer que esteja que descanse em Paz. Estive ainda 2 anos nos iniciados ou infantis no Esperança de Lagos com o Aníbal Camacho.

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«Só mais uma coisinha, como País pequeno que somos, demos um exemplo ao mundo da grandeza e da riqueza. Viva todos os Portugueses. Viva Portugal»

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CL – Prosseguindo na área do associativismo, que recordações guarda dos emblemas que representou?

JB – Saudades muitas. Onde conheci muitas estrelas do futebol Algarvio, na companhia do saudoso Zé Augusto Calado e de outros Presidentes que passaram pelo Clube Desportivo de Odiáxere.

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CL – Mudando para as artes, o Zé Bandarra “é um verdadeiro artista”. Como é que nasceu essa veia, pisando palcos da música e do teatro?

JB – Não me considero artista, sou um brincalhão. O teatro nasceu pelas mãos do Sr. Sebastião Murtinheira. A música nasceu em Angola quando estava na tropa. Um dia encontrei o José António Simões, que agora é dentista em Portimão (filho do Chico Faísca), e aí começaram os primeiros acordes que tem durado até à data.

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«Eu, pessoalmente, estava bem pago, mas de um modo geral, tanto técnicos de farmácia e farmacêuticos, estão muito mal pagos»

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CL – Em algum momento pensou em trocar a Farmácia por uma carreira artística?

JB – Não, isso não. Em momento nenhum isso me passou pela cabeça.

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CL - Como analisa o estado do associativismo e da cultura em Lagos?

JB – O associativismo popular, como eu costumo apelidar, praticamente não existe. Em Lagos, só temos o Clube Artístico Lacobrigense, que vai resistindo às dificuldades do tempo apresentando de vez em quando a nossa Revista à Portuguesa. Depois temos outras colectividades, com diversas vertentes, como a Petanca, a Columbófila e outras mais. Culturalmente, estamos muito bem servidos, com a Filarmónica Lacobrigense 1º de Maio, Teatro Experimental de Lagos, Associação do Grupo Coral de Lagos, Conservatória de Música, Universidade Sénior e outras.

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«Sim, continuamos com o “Amodantiga”. Ainda estou inserido na Universidade Sénior de Lagos, onde estou a ensinar cavaquinho, e de onde formei o grupo de cavaquinhos em 20/03»

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CL – O Zé Bandarra parece ter igualmente uma costela política. Por que motivo aceitou integrar as listas socialistas para distintos cargos autárquicos?

JB – Apenas aceitei integrar as listas do Partido Socialista. Depois por votação fui eleito Presidente da Assembleia da Freguesia de S. Gonçalo de Lagos.

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CL - Mais uma vez questiono, se esteve no seu horizonte dedicar-se à política a tempo inteiro?

JB – Nunca, em tempo algum, isso me passou pela cabeça.

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CL – Que nota daria à actual gestão de Hugo Pereira à frente dos destinos de Lagos?

JB – Eu pessoalmente gosto muito do Hugo Pereira. Nestes cargos, nem sempre se consegue agradar a todos. Eu dou nota dez.

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CL – Um homem multifacetado, às tantas teve um problema sério de saúde. Como é que aconteceu essa situação menos boa?

JB – Sim, é verdade, fui vítima de um AVC. Felizmente consegui recuperar de modo a fazer a minha vida normal.

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«Não me considero artista, sou um brincalhão. O teatro nasceu pelas mãos do Sr. Sebastião Murtinheira. A música nasceu em Angola quando estava na tropa»

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CL – Agora reformado da Farmácia, continua no grupo Àmodantiga, e ainda como Presidente da Assembleia de Freguesia de São Gonçalo de Lagos. E que mais faz o meu amigo agora, e tem outros projectos na calha?

JB - Sim, continuamos com o Grupo “Amodantiga”. Aproveito a oportunidade para manifestar um profundo agradecimento e reconhecimento pelo esforço e dedicação de Joaquim Baptista Rijo, que até há pouco tempo foi membro e ensaiador do grupo. Ainda estou inserido na Universidade Sénior de Lagos, onde tenho o prazer de ensinar cavaquinho, tendo formado o Grupo de Cavaquinhos em 20/03 com o apoio da Maria Emília Mendes. Depois os alunos mais avançados começaram a ser orientados por um amigo que eu convidei, o Francisco Reis, ficando a Universidade Sénior com dois grupos. Os iniciados e os avançados que integram hoje os “Zavaiandos”, orientados hoje pelo Vítor do Carmo, meu grande amigo, e que tem feito um trabalho maravilhoso.

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CL - Para terminar, enquanto homem ligado à saúde, mas também como cidadão, versando a actualidade, como observa esta pandemia do Covid-19 e que conselhos deixa aos lacobrigenses?

JB - Os mesmos conselhos da Direcção Geral da Saúde. Se todos nós cumprirmos as regras sanitárias recomendadas, tudo é mais fácil. Lagos tem sido um bom exemplo dos deveres cumpridos. Só mais uma coisinha, como País pequeno que somos, demos um exemplo ao mundo da grandeza e da riqueza. Viva todos os Portugueses. Viva Portugal.

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José Bandarra dos Reis, tem 68 anos, natural de Odiáxere, concelho de Lagos, casado e com dois filhos, possui o curso da Escola Industrial e Comercial de Lagos.

Cumpriu o Serviço Militar, assentou praça em Leiria em 1971, depois seguiu para Coimbra, tirou a especialidade em análises clínicas de doenças tropicais na Escola de Medicina Tropical da Junqueira. Mais tarde foi chamado para Angola em 7 de Maio de 72, sempre na área da saúde como Cabo Especialista. Curiosamente, trabalhou em duas farmácias em Angola. Regressou a Portugal em 23 de Junho de 74 .

Reformado recentemente como profissional de saúde, com largos anos em diversas farmácias, iniciou a sua longa carreira na “Silva” aos 12 anos, terminando na “Lacobrigense”. Mas ainda nesta área, teve actividade como massagista de futebol durante mais de duas décadas, no Clube Desportivo de Odiáxere e ainda no Clube de Futebol Esperança de Lagos. Uma personalidade ligada ao associativismo, que é também popularmente conhecido nas artes como “artista multifacetado”. Na verdade, Bandarra viaja pela música com vários grupos e diversos estilos, percorrendo o Grupo Coral de Lagos, sendo um dos fundadores desta associação, tocou no conjunto Tábemdeixa tendo gravado um disco, bem como outras actuações pontuais em diversos eventos. Em 2020, ainda continua no grupo de música popular Amodantiga, do qual foi um dos fundadores juntamente com Tó Luís e Nuno Viana. Mantém a chama viva na Universidade Sénior, a ensinar cavaquinho, tendo sido o impulsionador do grupo de cavaquinhos em 20/03 com o apoio de Maria Emília Mendes.

De igual modo, Zé Bandarra esteve bastante activo em diferentes vertentes do teatro, designadamente no Teatro Experimental de Lagos (TEL) e no Clube Artístico Lacobrigense (Revista à Portuguesa). Enfim, subiu e continua a pisar distintos palcos das Terras do Infante.

No entanto, este ilustre lacobrigense é uma caixinha de surpresas, afinal um verdadeiro “leão”. Entre outras actividades, tem também uma costela política. Com efeito, já protagonizou alguns cargos políticos, embora como cidadão independente, mas sempre com as cores do Partido Socialista (PS), desde o 25 de Abril de 1974.

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