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Conceição Ribeiro: Jornalista renomada da SIC com uma forte paixão pela Rádio

Conceição Ribeiro: Jornalista renomada da SIC com uma forte paixão pela Rádio

«Foi provavelmente o período mais difícil de gerir [a altura da Universidade], mas ainda bem que não desisti. Acabei por me dedicar à SIC, camisola que visto há 24 anos»

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Beatriz Maio
Carlos Conceição
Marta Ferreira

Esta edição de Maio traz à estampa Conceição Ribeiro, 47 anos, renomada jornalista, mulher de facetas várias e «lacobrigense de adopção». Colecciona já vasta experiência no ramo da Comunicação, com passagem inicial pela Rádio, estando actualmente ligada à SIC. Reside em Faro, é angolana, mãe de 3 filhos – Luís, Gonçalo e Afonso –, adora Bruce Springsteen e define-se sem propriamente se definir, por considerar que todos somos, no fundo, uma «metamorfose ambulante».

Licenciou-se em Ciências da Comunicação e encontra-se a terminar o Mestrado em Sociologia, área pela qual naturalmente nutre interesse. Além disso, gosta de Ciência Política e Geoestratégia, Literatura, Filosofia e viagens. Em termos profissionais, tudo começou na Rádio Atlântico Sul, com passagem posterior à Rádio Clube Lacobrigense. Mais tarde, trabalhou também na Rádio Capital e na Revista Sulstício.

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«Somos uma "metamorfose ambulante". (...) Não sou o que se vê, o que tenho ou o que faço. Sou o caminho até lá»

Correio de Lagos – Fale-nos um pouco sobre si. Quem é Conceição Ribeiro?

Conceição Ribeiro – “Quem sou eu?” é a pergunta do milhão de euros. É o Santo Graal da Filosofia e da Poesia. Podia responder o óbvio: que sou jornalista, mãe do Luís, do Gonçalo e do Afonso. Empresária. Angolana de nascimento e lacobrigense de adopção. Que gosto de Bruce Springsteen e Astor Piazzola, do realismo fantástico do Garcia Marquez e do despojamento de Ondjaki, de comida do Médio Oriente e Norte de África e de viagens… Mas isso são circunstâncias. Seria diferente, mas não deixaria de ser eu se tivesse outra profissão, se não tivesse filhos, se tivesse nascido ou crescido noutro lugar.

Penso que o que fazemos e temos ao longo da vida nos molda, sem dúvida, mas é um risco deixarmo-nos definir por isso. Somos uma “metamorfose ambulante”, como diz a música do brasileiro Raúl Seixas. Diferentes de quem fomos há 10 anos e de quem seremos daqui a 10. E é essa transformação constante que me inspira. O desenvolvimento pessoal – que nada tem a ver com charlatanice literária – é uma espécie de bússola que nos permite ir navegando e ajustando a rota. Na essência, é isso que me define e inspira. A busca constante por não ficar como sou. E isso não tem nada a ver com insatisfação, mas com desafio.

Todos já tivemos fases na vida em que percebemos ter cristalizado, em que tudo parece ter estagnado. E tomamos uma decisão que nos tira desse lugar. E esse momento do salto, em que arriscamos a mudança sem garantias, é assustador, mas é onde está o gozo e o crescimento. Comigo, pelo menos, é assim. As melhores fases da minha vida foram aquelas em que arrisquei. E quando percebi isso e deixei de ter medo de não saber, de refazer, de aprender, foi quando tudo ganhou sentido.

Os meus filhos e amigos brincam com a minha fixação por aprendizagens. Estou sempre inscrita num novo curso, numa mentoria, numa formação… O gozo que tiro dessas aprendizagens, a mudança de perspectiva que elas provocam são combustível puro. Portanto, não sou o que se vê, o que tenho ou o que faço. Sou o caminho até lá.

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«Ainda que o meu filho mais novo me tivesse dito várias vezes que eu deveria ter optado por abrir uma loja de gomas, sei que segui a profissão certa»

CL – Sempre ambicionou ser jornalista?

CR – Na verdade, a ideia inicial era ser actriz de Teatro, mas era péssima (apesar dos esforços do meu extraordinário professor Duval Pestana). Desisti. Isso coincidiu com o fenómeno das rádios piratas, nos anos 80. O facto de ter estado ligada a uma delas de forma muito intensa (Atlântico Sul), acabou por me empurrar para o caminho certo. Ainda que o meu filho mais novo me tivesse dito várias vezes que eu deveria ter optado por abrir uma loja de gomas, sei que segui a profissão certa. Dificilmente algum dia me irei desligar por completo do Jornalismo. Não foi paixão à primeira vista, mas parece-me ser amor para a vida.

CL – Como define o seu percurso profissional? Que momentos e/ou obstáculos destaca?

CR – O meu percurso é uma mistura de sorte e perseverança. Calhou estar nos lugares certos, com as pessoas certas, mas também de ter reparado nas oportunidades e esforçado-me por elas. Aos 17 anos, tropecei na hipótese de fazer um curso de Jornalismo Radiofónico, interrompi o ensino secundário e fui morar sozinha para Lisboa por um ano.

Quando voltei, sabia muito pouco, mas tinha muita vontade e aceitei o desafio de estruturar a Informação na Rádio Atlântico Sul. Entretanto, a empresa foi comprada pela Rádio Capital, de Almada, que precisava de postos retransmissores pelo país. Comprou o alvará mas despediu a equipa, em Lagos.

Tive a sorte de ser a única a ficar. Por ser jornalista, fiquei como correspondente. Foi uma fase difícil, mas de crescimento. Dediquei-me tanto que menos de dois anos depois comecei a ser enviada para fazer a cobertura de várias visitas de Estado do então Presidente da República Jorge Sampaio, ao estrangeiro.

O convite para colaborar com a SIC surgiu pouco depois, já eu era mãe e tinha acabado de entrar na universidade. Nessa fase, sem carta de condução, a morar em Lagos, dependente de transportes públicos, com aulas a partir das 8:30 horas da manhã em Faro, um filho de 4 anos e dois trabalhos que adorava – na Rádio e na Televisão – os meus dias tinham muito mais de 24 horas. Foi provavelmente o período mais difícil de gerir, mas ainda bem que não desisti. Acabei por me dedicar à SIC, camisola que visto há 24 anos.

CL – Que memórias guarda do seu início na Rádio Atlântico-Sul?

CR – A Atlântico Sul foi uma escola de criatividade, carolice, cumplicidade e muita inovação. Quando comecei era uma rádio muito, muito amadora, sem coerência. Estive ausente cerca de um ano, enquanto fiz a formação profissional em Jornalismo Radiofónico na TSF e quando voltei a rádio tinha novos donos. O gerente era Gordon Hoffman, uma verdadeira estrela, que tinha vindo da África do Sul e que tinha noção do que era realmente o mundo da Rádio. O “Flash Gordon” trouxe organização, direcção, criatividade.

Profissionalizou a estação, criou uma equipa brutal com “a prata da casa”, soube puxar pelo melhor que cada um de nós tinha, introduziu coisas básicas, mas que para nós eram absoluta novidade, como a playlist, para que houvesse coerência no estilo da rádio e permitisse a fidelização da audiência. E conseguimos!

A Atlântico Sul foi uma lufada de ar fresco no Algarve. A cidade ficou rendida. Saímos do estúdio, fomos para a rua, fizemos roadshows de alta qualidade, acções de solidariedade que permitiram, por exemplo, oferecer equipamentos ao Hospital; montámos a FEIRAAL, um evento que promoveu as actividades do concelho e trouxe a Lagos artistas como Pedro Abrunhosa, Sitiados, Carlos Paredes, a brasileira Joana, etc. A meio da aventura o Gordon saiu, mas deixou a semente e a equipa conseguiu fazê-la germinar. Trabalhar com a Fátima Peres, a Eunice Caldeira, o Carlos Bonança, o Luís Correia, o Luís Graça, o Alexandre Klein, o Ronaldo Loyola ou o inesquecível Hélio José – entre tantos outros colegas extraordinários – foi essencial para mim. Fizemos escola. Aprendi imenso com aquele grupo.

CL – O que levou, em tempos, à criação de uma empresa/produtora conjunta com outras profissionais da área?

CR – Foi o enquadramento legal necessário para começar a colaborar com a SIC. A minha sócia nesse projecto foi a Helena Figueiras, que na altura também trabalhava para a mesma estação.

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«A Televisão é a minha praia. É o meio que melhor conheço e para o qual já estou formatada. No entanto, gosto muito, muito, muito da Imprensa»

CL – Na área da Comunicação Social, qual a sua vertente predilecta? Rádio, Jornalismo de Imprensa, Televisão...?

CR – A Televisão é a minha praia. É o meio que melhor conheço e para o qual já estou formatada. No entanto, gosto muito, muito, muito da Imprensa. Um dos projectos que desenvolvi há muitos anos foi uma revista de reportagem sobre o Algarve, a Sulstício. Apesar de ser uma revista da Associação de Municípios do Algarve, tínhamos absoluta liberdade editorial. O conceito foi concebido por mim, a equipa também – era na altura integrada por alguns dos melhores jornalistas e foto-jornalistas do Algarve – e centrava-se muito em histórias diferentes, textos cuidados e criativos e grandes fotografias. Foi um desafio muito interessante e teve grande reconhecimento. Além das reportagens, tínhamos sempre uma entrevista de fundo com figuras como Mário Soares, Cavaco Silva, Jorge Sampaio…

O ritmo e o tipo de escrita para uma revista é muito diferente da Televisão. A Rádio continua a ser uma paixão. Não há dia em que não me ligue a ela, mas nunca mais surgiu a oportunidade de voltar a fazer notícias nesse meio.

CL – Alguma vez ponderou colocar o Jornalismo de parte e enveredar por outra profissão?

CR – De verdade, não. Leccionar na universidade, por exemplo, é uma ideia que me agrada. Quer na área das Ciências da Comunicação, quer da Sociologia. No entanto, acredito que a minha mais-valia ao nível da docência será precisamente a experiência profissional e a ligação ao terreno.

Admito que daqui a uns anos poderei não ter disponibilidade para fazer certos trabalhos jornalísticos. A idade permite-nos também alguma escolha, é a vantagem… Mas continua a haver um mundo de notícias interessantes para trabalhar. Dificilmente abrirei a loja de gomas que o meu filho tanto queria…

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«É um trabalho que exige muitas horas, muito sacrifício da vida pessoal, muita atenção no acompanhamento da actualidade e na criação de memória histórica, de manutenção de fontes, de actualização de métodos e abordagens, de reflexão e autocrítica»

CL – Que conselhos dá a quem pretende conquistar o seu lugar neste ramo? Versatilidade, humildade e dedicação.

CR – Não é possível ser-se jornalista de outra forma. Versatilidade porque os meios estão em mudança. Sou jornalista de Televisão, mas também posso escrever para a SIC online ou, pontualmente, para o Expresso. Isso implica ajustar estilos de escrita e abordagens. Um jornalista hoje tem de conseguir adaptar-se e essa adaptação será cada vez mais exigente, quer pela revolução tecnológica, quer pelos hábitos de consumo de informação.

Humildade porque é preciso ter os pés no chão e ouvir com a mesma atenção uma alta figura da nação ou o senhor que mora na esquina. Assim como é preciso escutar, aprender, perguntar, corrigir, independentemente da experiência, formação ou estatuto.

Dedicação porque é um trabalho que exige muitas horas, muito sacrifício da vida pessoal, muita atenção no acompanhamento da actualidade e na criação de memória histórica, de manutenção de fontes, de atualização de métodos e abordagens, de reflexão e autocrítica.

Procurar referencias e perceber quais são as características que podemos modelar. Trabalhar em grupo, também, é essencial. Apesar de ser um meio muito competitivo, o Jornalismo ganha quando se trabalha em equipa, se trocam ideias, se pedem sugestões. O conhecimento partilhado multiplica-se.

CL – Mãe de três rebentos, como é para si conciliar este papel com um trabalho tão exigente como o que possui?

CR – Só foi possível conseguir graças a cinco pessoas. O pai dos meus filhos, que “agarrava as pontas” quando eu não podia, os meus pais e os meus sogros.

Penso muitas vezes nisso. Que não conseguiria ter conciliado a minha formação académica, o meu trabalho e a minha família se a minha família não tivesse tido por perto as avós Lila e Lucinda e os avós Zé Ribeiro e Zé António. A maturidade dos meus filhos, mesmo quando eram muito novos, também foi fundamental. Todos eles se apoiaram quando a mãe precisava sair cedo e chegar tarde.

Na fase do caso Maddie, por exemplo, durante 7 meses saí e cheguei a casa com eles a dormir. Houve festas da escola que falhei, houve dias em que foram os últimos a sair do infantário. Mas eles cresceram com essas condicionantes, lidam bem com elas. Tentei compensá-los de outras formas. Todos eles sabem que mesmo longe, estou sempre disponível e atenta. Nunca deixei de lhes atender um telefonema. Nem que esteja no meio de um incêndio a um minuto de entrar em directo.

CL – Na qualidade de mãe, existe alguma mensagem de apreço que gostasse de endereçar às famílias monoparentais do nosso país?

CR – Independentemente de serem monoparentais ou tradicionais, qualquer família precisa de se transformar numa aldeia. O velho ditado africano tem uma sabedoria brutal. Nenhuma mãe e pai, juntos ou separados, conseguem criar uma criança sozinhos. De forma saudável, pelo menos. É fundamental uma teia de relações que ampare todos. Não importa se a “aldeia” é composta por familiares, amigos, colegas, vizinhos. O que importa é que haja alguém a quem se possa recorrer.

O ritmo de vida actual é uma trituradora. Precisamos construir – se não temos – laços. Todos estamos no mesmo barco. Todos podemos ajudar hoje e precisar de ajuda amanhã. Qual é o problema de combinar com uma vizinha levar e trazer os filhos de ambas em dias alternados? Qual é o custo de levar uma sopa e alguma fruta a um colega que esteja doente? Eu tenho uma rede de apoio (mãe, irmã, sobrinhos) mas alarguei-a também a amigos e colegas. Essa solidariedade resulta, é recíproca, pacífica e tira-nos de cima a sensação de culpa e de falhanço. Esse é o conselho: construam uma aldeia.

CL – Quais os prós e os contras de ter sido mãe tão jovem?

CR – Não deixei e fazer nada por ter sido mãe aos 19 anos. Eventualmente demorei mais tempo a concluir alguns passos, como a formação académica, mas consegui tirar a licenciatura que queria, em Ciências da Comunicação, e estou a concluir um Mestrado em Sociologia. Segui a carreira que escolhi. Abracei os desafios que quis. Viajei. A diferença de idades torna-nos muito cúmplices.

Enquanto alguns dos meus amigos vão com os filhos a concertos da Disney on ice, eu vou com os meus ver Aerosmith ou Xutos. Como já têm 28, 19 e 17 anos, os gostos deles e os meus estão alinhados também em matéria de viagens. Andar pelas ruas de Amsterdão, ver o nascer do sol num acampamento Berbere, no Deserto do Saara, ao lado deles, partilharmos o mesmo interesse por livros, filmes e conversas sem fim são só alguns dos prós.

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«Fazer uma reportagem, em Lagos, é sempre um prazer. Quase sempre implica reencontrar amigos e conhecidos ou pelo menos revisitar lugares que me dizem muito»

CL – É sabido que ajudou a projectar grandes eventos em Lagos, como a Arte Doce, o Banho 29, o Festival dos Descobrimentos, entre outros. Como é acompanhar de perto e partilhar os eventos da sua terra natal com o mundo?

CR – Fazer uma reportagem em Lagos é sempre um prazer. Quase sempre implica reencontrar amigos e conhecidos ou, pelo menos, revisitar lugares que me dizem muito. Além disso, Lagos é a cidade mais bonita do Algarve. Tem uma luminosidade característica. Fica muito bem em televisão. Quer seja por bons ou maus motivos, a abordagem é sempre profissional e isenta, mas beneficia obviamente do facto de conhecer o terreno e alguns interlocutores. Do ponto de vista pessoal, gosto sempre de cá voltar.

CL – Como tem visto a evolução de Lagos ao longo dos últimos anos? Continua a visitar a cidade com frequência?

CR – A minha mãe continua a ter residência na cidade e quer eu quer os meus filhos somos fãs de alguns estabelecimentos comerciais daqui, pelo que com muita frequência cá vimos. Aliás, sempre que alguém lá em casa ou no círculo de amigos mais próximo celebra o aniversário, vimos cá buscar o imbatível bolo de café da pastelaria Gombá.

Em relação à evolução de Lagos, percebe-se uma imensa mudança urbanística, claro. Há também equipamentos que foram surgindo e que eram essenciais. Alguns vi surgir, outros apareceram depois. Sou do tempo da música do Mário Mata e de quando em Lagos não havia piscinas, parques, centros culturais... Precisamente o parque na cintura da muralha é uma das mudanças positivas. Tenho também alguma expectativa em relação à intervenção prevista para a zona da Ponta da Piedade. Sei que estão projectados passadiços e acredito que acauteladas as questões ambientais, se torne um local único de fruição da cidade.

Há um local que me está no coração, pela história e pelas pessoas, que continua a precisar de ser intervencionado e que merece essa intervenção. Falo do Bairro 25 de Abril, que a cidade conhece como os “Índios da Meia Praia”. Além do respeito que me merece como comunidade de tradição piscatória, o seu surgimento, a sua construção, os seus intervenientes têm um enquadramento e um valor histórico que merece ser preservado. Em 29 anos de carreira fiz milhares de reportagens, mas curiosamente aquela que mais gozo me deu foi precisamente uma reportagem especial sobre “Os Índios da Meia Praia” e a história do bairro.

CL – Falando da pandemia: como vê este “vírus invisível”? Enquanto jornalista, alguma vez pensou vir a noticiar algo deste calibre para o país e, em particular, para o Algarve? Como é gerir toda a informação e dificuldades decorrentes da constante evolução deste vírus?

CR – A pandemia foi um soco no estômago do mundo inteiro. Se tivesse surgido um filme com este enredo diríamos que era pura ficção. Que seria impossível um confinamento geral e simultâneo, que numa economia global nunca seriam proibidos voos comerciais por tanto tempo, que seria exagerado conseguir-se uma vacina em menos de um ano. A a realidade acabou por superar a ficção.

Tudo isso aconteceu e de uma forma devastadora. Lembro-me dos primeiros dias do confinamento e da perplexidade pelas ruas desertas, mas também da solidariedade. Amigos que ligavam a perguntar se estava tudo bem, a fazer e levar compras a quem pertencia a grupos de risco. A ansiedade, o medo, o afecto, a noção de caducidade de muitas coisas que julgávamos perenes. Numa perspectiva sociológica, a pandemia é um fenómeno muito interessante de ser analisado.

Enquanto jornalista, a fase inicial, do desconhecido, foi a pior. Num trabalho que se baseia em factos, mas num contexto de muitas dúvidas e com as pessoas ávidas de esclarecimento, foi um desafio. Nesse aspecto tenho de elogiar a postura de algumas entidades que perceberam que a Comunicação Social era um parceiro e não uns chatos a evitar. A Protecção Civil distrital, por exemplo, ao promover Confêrencias de Imprensa regulares com as várias entidades que intervinham no terreno, permitiu que os jornalistas tivessem acesso a dados credíveis e pudessem esclarecer e informar devidamente. Essa transparência num contexto de crise é fundamental. Sei que não foi assim em todo o país e tenho consciência que o trabalho de alguns colegas foi muito dificultado.

A certa altura começou a haver uma saturação sobre o tema. Durante muitos meses os alinhamentos informativos foram monotemáticos e as pessoas já se queixavam disso, mas a verdade é que a informação passou e a generalidade da população teve possibilidade de interiorizar comportamentos que foram decisivos para evitar um cenário pior.

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Curiosidades e respostas rápidas

Interesses – Desenvolvimento pessoal (cheguei a estar inscrita em 33 cursos em simultâneo), Árabe, Storytelling, Escrita Criativa, Segurança Interna e Terrorismo.

Prato/comida favorita – Tangine e cataplana de marisco.

Música e artista favorito(a) – Música “Purple Rain” (Prince); artista: Bruce Springsteen.

Destino de férias de sonho – Terra do Fogo (Patagónia), Ilha da Páscoa, Austrália, Nova Zelândia e Saara (sempre).

Livro preferido – "Cem anos de Solidão", de Gabriel Garcia Marquez; "Homo Sapiens" e "Homo Deus", de Yuval Harari.

Filme/série memorável – Peaky Blinders, House of cards, A Cor Púrpura, Voando sobre um ninho de cucos.

Referências na área da Comunicação/Jornalismo – Andrew Cooper (CNN) Fredericka Whitfield (CNN), “Bob” Woodward (The post), David Beriain (repórter de guerra espanhol, assassinado em Abril), Adelino Gomes.

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Galeria de imagens

1 – Lagos, 2018;

2 –Rádio Atlântico Sul, 1993;

3 – Alemanha, reportagem da Rádio Capital, 1997. Viagem com o Presidente Jorge Sampaio;

4 – Auschwitz, reportagem da Rádio Capital, 1998;

5 – Holanda, com os filhos, 2017.

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In: Edição Impressa do Jornal Correio de Lagos nº367 · MAIO 2021

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