Bravura estreia em Lagos e encerra o Ciclo de Encontros Corais em Terras do Infante

Concerto comemorativo dos 50 anos da Associação do Grupo Coral de Lagos reúne as suas três secções e apresenta a estreia absoluta de uma nova obra de Eurico Carrapatoso
A Associação do Grupo Coral de Lagos (AGCL) apresenta, no dia 1 de novembro de 2026, às 16h00, na Igreja de São Sebastião, em Lagos, o concerto Bravura. Integrado nas comemorações do 50.º aniversário da Associação, o espetáculo encerra o Ciclo de Encontros Corais em Terras do Infante e terá entrada livre.
O concerto reunirá em palco as três secções da Associação do Grupo Coral de Lagos: o Grupo Coral de Lagos, o Coro Infantojuvenil de Lagos e um ensemble de professores do Conservatório de Música e Artes de Lagos. Este encontro intergeracional celebra cinco décadas de trabalho continuado em prol do canto coral, da formação musical e da participação cultural na comunidade.
Duas obras de Eurico Carrapatoso
O programa será inteiramente marcado pela música do compositor português Eurico Carrapatoso. Será apresentada Lagos Legos, estreada em 2025, e terá lugar a estreia absoluta de Bravura, obra encomendada pela AGCL para assinalar o seu cinquentenário e escrita especialmente para estes intérpretes, este lugar e esta ocasião.
Com o subtítulo Um milénio de poesia portuguesa | Pequeno florilégio, Bravura propõe uma viagem por quase mil anos de poesia em língua portuguesa. A obra parte de Al-Mu’tamid, poeta algarvio do século XI, e chega a Fernando Pessoa, no século XX, atravessando textos de D. Sancho I, João de Lobeira, D. Dinis, Fernando Esquio, Afonso X, João Roiz de Castelo Branco, Camões, Padre António Vieira, Bocage e Camilo Pessanha.
Estruturada entre um Prelúdio e um Poslúdio, com dez estações intermédias, a composição articula os poemas não apenas por ordem cronológica, mas através de afinidades que atravessam os séculos: desejo, ausência, beleza, saudade, viagem, identidade, ruína, dor e a própria natureza da poesia. Nas palavras do compositor, trata-se de «colher algumas flores de um jardim imenso, escolhidas pela sua capacidade de permanecerem vivas quando passam para a voz e para a música».
Uma obra enraizada em Lagos
O título remete também para a Barragem da Bravura, no concelho de Lagos, cuja albufeira voltou a encher no inverno de 2025–2026, depois de anos de escassez. Carrapatoso transforma essa realidade numa metáfora da memória cultural: tal como uma barragem recebe, guarda e liberta a água, também a obra de arte acumula palavras, imagens, afetos e vozes de outros tempos, devolvendo-os à comunidade no momento da interpretação.
Ao celebrar simultaneamente a história da poesia portuguesa e os 50 anos do Grupo Coral de Lagos, Bravura afirma-se como obra nova e obra de memória. A encomenda reconhece o papel pedagógico e cultural da AGCL e a sua capacidade de unir gerações em torno da música, transformando uma efeméride num ato de criação artística.
«Nesta tarde de 1 de novembro de 2026, em Lagos, essa água, essa memória e essas vozes encontram-se. Abra-se a comporta. Corra poesia. Que a música comece», escreve Eurico Carrapatoso.
Informação prática
Concerto: Bravura
Data: 1 de novembro de 2026
Hora: 16h00
Local: Igreja de São Sebastião, Lagos
Intérpretes: Grupo Coral de Lagos, Coro Infantojuvenil de Lagos e ensemble de professores do Conservatório de Música e Artes de Lagos
Programa: Lagos Legos e estreia absoluta de Bravura, de Eurico Carrapatoso
Entrada: Livre
Associação do Grupo Coral de Lagos



