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Rute Silva, presidente socialista da Câmara Municipal de Vila do Bispo, agora sem maioria absoluta, em entrevista ao CL

Rute Silva, presidente socialista da Câmara Municipal de Vila do Bispo, agora sem maioria absoluta, em entrevista ao CL

«Acho que a governação vai ser relativamente fácil” e “não há necessidade de estarmos aqui com coligações»

«Trabalhar com o Adelino foi uma aprendizagem. Tenho muito a agradecer aquilo que ele me ensinou. As coisas no final não correram da melhor forma. O que falhou? Eu acho que acima de tudo foi o diálogo», admitiu, em declarações exclusivas ao nosso Jornal, a presidente eleita da Câmara Municipal de Vila do Bispo (PS) para o mandato de 2021/2025, Rute Silva, pouco depois de ter tomado posse no cargo no auditório do Centro Cultural desta localidade, na tarde de 07 de Outubro, dia em que comemorou 47 anos de idade. Não ouviu cantar ‘parabéns a você’, mas recebeu flores no final da sessão.

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Correio de Lagos - Que expectativa tem como presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo para os próximos quatros anos? Como vai ser possível governar sem maioria absoluta?

Rute Silva - Eu acho que a governação vai ser relativamente fácil. Tenho essa perspectiva positiva de que as pessoas estão para o mesmo. Por isso, vamos trabalhar em conjunto a bem de todos e a bem daquilo que as pessoas esperam de nós.

CL - Vai convidar alguma força política para formar uma maioria no executivo?

RS - Não. Aquilo que se perspectiva neste momento é que nós vamos governar como estamos, porque eu acredito que as pessoas eleitas também tenham a perspectiva do melhor. Acho que não há necessidade de estarmos aqui com coligações.

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«Perspectivam-se cerca de 120 habitações» no concelho, investimento superior a cinco milhões de euros. “Na Vila do Bispo iremos fazer casas para renda apoiada e em Budens um loteamento destinado a autoconstrução»

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CL - No seu discurso da tomada de posse, destacou a habitação e o Plano Director Municipal (PDM) de Vila do Bispo como principais estratégias para os próximos quatro anos. Quantas habitações gostaria de construir, de ver disponíveis para fixar jovens e outras pessoas neste concelho?

RS - Com os terrenos que temos neste momento e de acordo com o plano de habitação de Vila do Bispo, que nós estamos a desenvolver, perspectivam-se cerca de 120 habitações. Na Vila do Bispo iremos fazer casas para renda apoiada e em Budens perspectivamos um loteamento destinado a autoconstrução, estando neste momento ainda a definir os parâmetros. Claro que ainda faltam projectos, ainda falta a parte das arquitecturas e tudo mais. São processos administrativos longos, mas acredito que no final deste mandato já tenhamos a situação resolvida.

CL - E quanto irá custar esse plano de habitação?

RS - Vai depender muito também dos financiamentos que nós consigamos, agora, através do IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) e de outros meios. Mas vai ser muito do nosso orçamento municipal.

CL - Será um investimento total na ordem de um, dois milhões de euros?

RS - Será mais, mais...

CL - Poderá atingir mais de cinco milhões de euros, por exemplo?

RS - Sim, deverá ser por volta desses valores. Temos um orçamento que não nos permite grandes voos, que ronda os 12, 13 milhões de euros [por ano], sendo que para investimentos são cerca de dois milhões e meio.

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Plano Director Municipal de Vila do Bispo irá incluir «uma área industrial, um espaço para empresários em Barão de São Miguel»

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CL- E quais vão ser as principais linhas de orientação do Plano Director Municipal de Vila do Bispo? O que defende em concreto?

RS - Acima de tudo, defende as consolidações das áreas urbanas. E percebermos o que necessitamos a nível de serviços e de forma a organizar os núcleos urbanos e dar a possibilidade a que sejam consolidados.

Cl - Os núcleos urbanos vão ter empresas, apoio ao sector económico?

RS - A nível daquilo que é o nosso programa, iremos tentar, por exemplo, construir uma área industrial, um espaço para empresários em Barão de São Miguel. Acho que é um ponto estratégico para conseguirmos, também, dar alguma dinâmica àquela aldeia.

CL - Com que indústrias, ramos de actividade?

RS - Será aquilo que as pessoas desejarem. Mas, acima de tudo, acreditamos que sejam serviços.

CL- E para as zonas de Budens, da Raposeira, de Vila do Bispo e Sagres tem alguma perspectiva?

RS - É assim: neste PDM ainda não trabalhei muito esse processo. A partir de agora, conto irmos verificar aquilo que é possível fazer, mas acima de tudo o objectivo será fechar um bocado os núcleos urbanos. Por exemplo, Sagres tem muito espaço ainda para construção e é importante que nós também definamos as áreas de serviços e que, de uma vez por todas, haja projecto para o concelho de Vila do Bispo.

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«A minha primeira medida será as acessibilidades ao edifício da Câmara Municipal. O que está em causa é que as pessoas com mobilidade reduzida não conseguem ter acesso aos serviços públicos. Quero fazer o Balcão Único de Vila do Bispo»

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CL - Qual será a sua primeira medida como presidente da Câmara Municipal?

RS (risos) - Essa é uma pergunta complicada. A minha primeira medida (e já hoje [dia 7 de Outubro de 2021] estive a tratar disso), que penso que é de todo importante, será as acessibilidades ao edifício da Câmara Municipal de Vila do Bispo. O que está em causa é que as pessoas com mobilidade reduzida não conseguem ter acesso aos serviços públicos. Quero fazer o Balcão Único de Vila do Bispo, que não existe na Câmara, e para isso tenho de dar acessibilidade ao edifício.

CL - Haverá condições, nomeadamente para pessoas em cadeiras de rodas?

RS- Sim, sim.

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O que falhou com Adelino Soares nos últimos meses, «eu acho que acima de tudo foi o diálogo» (…) «Ele foi um excelente presidente de Câmara, muito deu também a esta terra, onde muito trabalhou.»

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CL - Como foi trabalhar durante estes anos com o então presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares? Surgiram queixas por parte da senhora, depois de ele, há meses, ter deixado o cargo, e não houve uma palavra para o ex-autarca nesta tomada de posse dos novos eleitos, apesar da presença de Adelino Soares no auditório do Centro Cultural...

RS - Trabalhar com o Adelino foi uma aprendizagem. Tenho muito a agradecer aquilo que ele me ensinou. As coisas no final não correram da melhor forma.

CL - O que falhou nos últimos meses?

RS - Eu acho que acima de tudo foi o diálogo. Mas não tenho nada a dizer contra o Adelino. Ele foi um excelente presidente de câmara, muito deu também a esta terra, onde muito trabalhou.

CL - Esperava mais de Adelino Soares na parte final do mandato, quando ele foi nomeado vogal do Conselho de Administração da empresa Algar, de valorização e tratamento de resíduos sólidos, com sede em Almancil, perto de Loulé, e a senhora se preparava para o substituir na presidência da Câmara Municipal de Vila do Bispo? Não se sentiu apoiada nessa altura?

RS (lacónica) - Ehhh!!!… Eu acho que não tenho muito de falar sobre esse assunto. Preferia assim.

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E mais não disse.

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José Manuel Oliveira

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