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Restaurantes de Lagos mostram balanço positivo nesta terceira fase de Desconfinamento. Retoma do sector mexeu com as expectativas dos empresários

Restaurantes de Lagos mostram balanço positivo nesta terceira fase de Desconfinamento. Retoma do sector mexeu com as expectativas dos empresários

Ao longo desta semana, e à semelhança da última reportagem efectuada pelas esplanadas do concelho, o CL visitou alguns estabelecimentos na intenção de perceber como têm sido os últimos tempos para a Restauração local.

Marta Ferreira

Beatriz Maio

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O Verão aproxima-se e a preocupação mantém-se: será que vai haver Turismo que ajude a equilibrar a balança algarvia? A esperança depositada na abertura das fronteiras e no processo de vacinação dão azo a perspectivas mais optimistas; ainda assim, as previsões dos inquiridos para a época que se avizinha são ainda algo inconstantes.

Nesta que corresponde à terceira fase do Plano de Desconfinamento do Governo e dado o levantamento das restrições no que respeita à Restauração e Similares, o CL procurou saber junto dos gerentes e proprietários de alguns restaurantes locais qual a afluência de pessoas nesta primeira semana e meia de salas abertas. Para uns, o feedback tem sido positivo. Outros, indicam que o movimento se mantém ainda relativamente «fraco».

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Jaime Maximiano: «Servimos bastantes refeições, as pessoas têm vontade de estar aqui. Quero acreditar que vamos fazer um Verão interessante»

Uma semana decorrida de porta inteiramente aberta, apesar dos condicionamentos de 6 e 4 pessoas por mesa, na esplanada e no interior, respectivamente, o icónico Restaurante "Adega da Marina", sito em plena Avenida dos Descobrimentos, mostrou claras melhoras em termos de alfuência: «Servimos bastantes refeições, as pessoas têm vontade de estar aqui», Jaime Maximiano, gerente.

A "Adega da Marina" detém uma das maiores salas de refeições no concelho, sendo o sítio predileto de muitos lacobrigenses - e não só - para diversos eventos e almoços/jantares de grupo. Segundo Jaime explicou ao CL, de momento a afluência é «essencialmente local». Posto isto, apontou como factor para este "retardar" na procura a restrição de horários aplicável aos fins-de-semana: «Encheríamos se trabalhássemos ao fim-de-semana, que é quando de facto esta casa é representativa».

Quanto ao Verão, Jaime mostra-se positivo: «Sou optimista e tenho de ser. Quando for criada a imunidade de grupo, isto é capaz de melhorar». Não obstante, no caso deste negócio em particular, acresce alguma seriedade dado o elevado número de trabalhadores que o Grupo Adega da Marina emprega: «Tenho de 80 a 90 trabalhadores. Esta gente está aqui todos os meses à espera de levar dinheiro para casa, para sustentar a família. É uma responsabilidade muito grande», confessou. E continuou: «Não são 80 ou 90 pessoas, são 80 ou 90 famílias que dependem disto. Naturalmente, tem que haver investimento próprio, mas quero acreditar que vamos fazer um Verão interessante».

As perspectivas são incertas no que respeita à afluência de turistas, muito em parte devido à irregularidade dos voos. Todavia, para Jaime «o Verão do ano passado foi muito interessante e quem diz o contrário estava-se a lembrar do de 2019. Esse foi para esquecer».

Quanto às medidas impostas pela Direcção-Geral de Saúde (DGS), de acordo com Jaime estas estão a ser «escrupulosamente» cumpridas - e quando há esquecimentos por parte dos clientes, estes são lembrados pelo staff: «Isto ainda não é uma coisa comum, as pessoas estão a aprender».

Na óptica de Jaime, o facto de o espaço ser amplo contribui para o sentimento de confiança dos clientes: «Muitos dizem que é o único restaurante onde se sentem confiantes. As pessoas estão todas a 2 metros de distância uns dos outros, à vontade. A casa está também muito reduzida em termos de capacidade». Antes da reabertura, segundo o gerente a aposta foi na testagem, desinfecção e elaboração de ementas digitais:

«Toda a gente que está aqui foi testada. Não entra ninguém novo para trabalhar sem fazer a quarentena e o respectivo teste, tem de haver um cuidado muito grande».

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«Se isto não der uma volta, penso que o Verão será idêntico ao do ano passado», desabafou Pedro Protásio

A afluência no Restaurante “António” tem sido «agradável», nas palavras do gerente Pedro Protásio. «Com a abertura da sala, já temos uma margem de manobra maior», explicou, uma vez que «trabalhar só com a esplanada torna-se limitado». Pedro notou que certos clientes que eram usuais ao fim-de-semana - nomeadamente, de uma faixa etária mais elevada - ainda mostram algum certo receio, mas em suma «tem estado a funcionar bem».

À semelhança de Jaime Maximiano, Pedro frisou também o horário reduzido aos fins-de-semana como sendo um obstáculo: «Como temos de fechar às 13:00 horas, acaba por dar uma grande quebra a nível semanal». Por estar situado mesmo junto à Praia de Porto de Mós, o clima tem ajudado a atrair clientes: «Numa semana normal, desde que o tempo ajude, mal ou bem vai funcionando. Servimos principalmente almoços e à noite até já temos alguns estrangeiros».

Relativamente ao Verão de 2021, para Pedro «tudo depende dos ingleses» uma vez que «grande parte do nosso Turismo é inglês». O negócio tinha mostrado sinais de crescimento em 2019, não fosse a quebra «bastante grande» que todo o sector sofreu em 2020. «Se isto não der uma volta penso que este Verão será idêntico ao ano passado. A vacinação em Portugal está um bocado lenta e até conseguirmos criar imunidade de grupo não vai ser fácil», desvendou.

Quanto ao cumprimento das regras por parte dos clientes, Pedro afirma que «as pessoas já estão mais ambientadas às normas de segurança». Nota, porém, ainda alguma hesitação nas pessoas mais velhas e confessa que «a malta mais nova desleixa-se um bocadinho».

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Filomena Albino: «As pessoas estão desejosas de viajar, de vir para o Algarve. (...) Espero um Verão positivo, não só na Restauração como em todo o lado»

No Restaurante "Mena", na zona da Atalaia, «o balanço tem sido positivo», segundo Filomena Albino, gerente. Os clientes que mais procuram o seu estabelecimento são trabalhadores locais e, por isso, Filomena afirma não sentir «a dificuldade que outros restaurante estão a passar» no que se refere ao afluxo de turistas, claramente menor comparativamente há um ano e meio.

Nesta semana e meia, tem reparado que «as pessoas já sentiam falta de sair», embora ainda apareçam com algum receio. Preferem ficar na esplanada, apesar das mesas devidamente espaçadas no interior.

"Mena", como é conhecida", descreve-se como uma pessoa positiva. Tem esperança que no Verão tudo se alinhe e que o sector trabalhe bem: «Não sei se será melhor do que o Verão do ano passado, mas se for igual já é bom. Em 2020 ainda se trabalhou bem durante os três meses de Verão», contou, apesar de não ter conseguido «amealhar muito nem fazer grandes reservas».

À data, Filomena diz não ter observado quaisquer incumprimentos por parte dos seus clientes em termos de normas impostas pelo Governo e DGS. Tem fé na vacina e crê que a plena retoma do sector se dê por volta de 2022: «O Algarve e Lagos estão em crescimento, é possível ver muita construção e obras. Acho que para o ano vamos ter um ano bom, mas bom mesmo». Nas próprias palavras, «as pessoas estão desejosas de viajar, de vir para o Algarve. A nível estrangeiro não sei, ainda há muitos receios. Espero um Verão positivo, não só na Restauração como em todo o lado».

Tal como Pedro Protásio, "Mena" acredita que o caminho passa por alcançar a imunidade de grupo o mais breve possível: «O Estado tem de ajudar a acelerar o processo [de vacinação], para voltarmos à normalidade o quanto antes. Sempre achei que isto ia passar rápido, mas tenho de ser mais realista. É o nosso trabalho, o nosso ganha-pão. Temos de ser uns para os outros, complementamo-nos todos», terminou.

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«Acho que as coisas têm tendência a voltar à normalidade. Assim espero e nem quero pensar diferente», revela Maria José da Luz

Maria José da Luz – "Zezinha" para os clientes mais regulares –, Gerente e proprietária do Restaurante “Prato Cheio”, sito na Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, descreve o movimento ainda como «fraco». Apesar de tudo, sente algum receio por parte das pessoas que a visitam, tendo sempre continuado a trabalhar mais em regime de take-away. Não obstante, afirma que os clientes «vêm ver se há lugar e se sim, sentam-se, confiantes. Se não há, ficam à espera. Neste momento, o espaço sobra-me porque tenho duas salas», garantiu.

Apesar de tudo, quer acreditar que esta predisposição e incerteza não se irá manter durante o Verão: «Depois das fronteiras abertas e com boa parte da população já vacinada, acho que as coisas têm tendência a voltar à normalidade. Assim espero e nem quero pensar diferente», exprimiu.

Comparativamente ao ano passado, "Zezinha" confessou não estar a contar «com um Verão tão bom» este ano, tendo em conta a pandemia. «As expectativas estão um bocadinho mais para baixo», desabafou.

Quando questionada acerca do cumprimento das normas por parte dos fregueses, rematou: «Os meus clientes estão muito bem treinados e não passam a porta sem se desinfectar (risos)».

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Fotografia principal: Restaurante "Adega da Marina".

Galeria:

Fotografia 1 - Restaurante "O António".

Fotografia 2 - Restaurante "Mena".

Fotografia 3 - Restaurante "Prato Cheio".

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