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Autárquicas 2021: CDU quer recuperar vereador na Câmara Municipal de Lagos. Candidato à presidência diz que «a governação PS não é algo com que os lacobrigenses se tenham de resignar»

Autárquicas 2021: CDU quer recuperar vereador na Câmara Municipal de Lagos. Candidato à presidência diz que «a governação PS não é algo com que os lacobrigenses se tenham de resignar»

«Ao longo do último ano, a pandemia só veio expor as fragilidades estruturais do nosso concelho», denunciou o professor Alexandre Nunes, que encabeça a lista da Coligação Democrática Unitária, liderada pelo PCP, à edilidade de Lagos, apontando o dedo aos socialistas.

Na sessão de apresentação de candidatos autárquicos, na Praça Gil Eanes e numa tarde de calor, animada pelo músico João Faísca, queixou-se da especulação imobiliária, da falta de habitação a preços acessíveis, da ausência do novo Hospital de Lagos e do trânsito, entre muitos outros problemas. E deixou promessas, garantindo que a CDU «não é um voto de protesto, é um voto de projecto para o concelho».

Na sexta-feira, 9 de Julho de 2021, pelas 18:00 horas, numa tarde de calor, o músico João Faísca começou a atrair público à Praça Gil Eanes, em Lagos, onde a CDU – Coligação Democrática Unitária (que integra o PCP - Partido Comunista Português, o PEV – Partido Ecologista ‘Os Verdes’, a Intervenção Democrática e cidadãos independentes) decidiu apresentar alguns dos seus candidatos neste concelho às próximas eleições autárquicas que terão lugar no dia 26 de Setembro.

Na sua actuação, ao longo de trinta minutos, o músico animou o ambiente com vários temas, a maioria portugueses, e terminou, interpretando a célebre canção ‘Os Índios da Meia Praia’, de Zeca Afonso, o que até serviu de mote para a Mandatária da CDU, Maria Luísa Teixeira, ao iniciar a apresentação dos candidatos autárquicos, considerar que estranhamente continua a estar actual nos dias de hoje».

«Vai ser uma campanha difícil», admitiu Luísa Teixeira, referindo-se às restrições resultantes da pandemia da Covid-19, mas, acrescentou, «estamos habituados às dificuldades». Na assistência, de costas voltadas para a estátua do Dom Sebastião e sentados em cadeiras com a distância possível, devido à pandemia, estavam cerca de três dezenas de pessoas, incluindo os candidatos. No meio, uma senhora até usou um chapéu de chuva para se proteger do sol e do calor. E um cão, deitado, preferiu a sesta. Já espalhados pela Praça Gil Eanes, pelo menos mais duas dezenas de pessoas acompanharam esta sessão promovida pela CDU.

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Quem são os candidatos autárquicos apresentados pela CDU, numa altura em que ainda não está escolhida a figura para encabeçar a lista à Assembleia da União das Freguesias de Bensafrim e Barão de São João

Pouco depois, foram chamados e apresentados os seguintes candidatos: Alexandre Nunes, de 46 anos, natural de Castelo Branco e professor de Matemática, que encabeça a lista da CDU à Câmara Municipal de Lagos;

José Manuel Freire, aposentado do Centro de Emprego e candidato à Assembleia Municipal;

Maria José Cintra, aposentada dos CTT e candidata à Assembleia de Freguesia da Luz;

Manuel Catarino, estudante finalista da Licenciatura em Direito e candidato à Assembleia de Freguesia de Odiáxere;

e Luís Fagundes, empresário livreiro, que encabeça a lista candidata à Assembleia de Freguesia de São Gonçalo de Lagos.

Nesta altura, a CDU ainda não tem candidato à Assembleia da União das Freguesias de Bensafrim e Barão de São João.

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Alexandre Nunes: «No caso de Lagos, a insatisfação também faz sentido. Porquê? Mais uma vez o afastamento das pessoas, mais uma vez a falta de respostas. O alvo só pode ser um: Partido Socialista. Porque nos últimos anos, a gestão de Lagos foi totalmente do Partido Socialista»

Depois de também ter destacado a canção "Os Índios da Meia Praia", interpretada pelo músico João Faísca, o candidato da CDU à presidência da Câmara Municipal de Lagos, Alexandre Nunes, professor do Ensino Básico, variante de Matemática e Ciências Naturais na Escola das Naus, nesta cidade, começou por lembrar que «os anos passaram e as respostas não foram dadas» no concelho, reconhecendo que, por isso, «existe afastamento das pessoas». «Mas o aproveitamento desta ideia de que os políticos são todos iguais, que não há respostas, tem sido cavalgado por movimentos, muitas vezes extremistas, altamente perigosos e que são os que principalmente beneficiam com esta generalização», advertiu.

«No caso de Lagos – prosseguiu – a insatisfação também faz sentido. Porquê? Mais uma vez o afastamento das pessoas, mais uma vez a falta de respostas. O alvo só pode ser um: Partido Socialista. Porque nos últimos anos, a gestão de Lagos foi totalmente do Partido Socialista. Nos últimos dois mandatos, tem maioria absoluta em todos os órgãos [autárquicos] do concelho e nem sequer [houve uma situação] que permita participação da oposição. Portanto, se há responsável da insatisfação, essa insatisfação tem de ter um alvo», reforçou o candidato presidencial da CDU, numa alusão ao PS.

«Se é verdade que na governação (...) podemos identificar alguns constrangimentos que resultaram de problemas orçamentais no plano de apoio às autarquias, também conhecido pela «‘troika’ das autarquias», de facto esse constrangimento e essa necessidade do plano de apoio teve um responsável: foi o Partido Socialista. E a segunda parte do mandato, foi o Partido Socialista a tentar resolver os problemas do Partido Socialista!» – observou, nas suas críticas.

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Especulação imobiliária e dificuldade no acesso à habitação levam classe média a procurar outros concelhos para viver

Alexandre Nunes notou que o município de Lagos tem orçamentos que, comparativamente, «se aproximam com a cidade de Coimbra e são cerca de duas vezes o da capital do distrito de Faro, mas na verdade a população do concelho não sente este desafogo económico». «Vinte anos passados, há um fosso muito grande entre o concelho que temos e aquele que poderíamos ter, porque os recursos, na verdade, não têm sido usados em prol da melhoria de vida dos lacobrigenses», afirmou. Por isso, prometeu que a CDU terá, nomeadamente, «a força, a vontade e a criatividade» para mudar «estas políticas». Ouviram-se aplausos.

«Estas políticas, depois deste tempo todo, têm resultados à vista: a pressão da especulação imobiliária, as dificuldades no acesso à habitação, desde os mais necessitados, a uma classe média que se vê forçada a procurar outros concelhos para viver; habitação pública que esteve estagnada na sobreposição do interesse privado ao interesse público nos bairros municipais degradados, tantas vezes esquecidos, sempre longe das prioridades da maioria», sublinhou Alexandre Nunes.

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«Na passividade da actual maioria, o novo Hospital de Lagos tarda na proposta e no trabalho da CDU» ao longo de duas décadas. «E esta inexistência de uma resposta capaz força as pessoas a recorrerem ao privado, ou a dirigirem-se a Faro para uma simples consulta de especialidade»

Lembrou, também, «as promessas de fogos de habitação a renda acessível, projectos que só surgiram muito recentemente e por isso só respondem a uma ínfima necessidade das pessoas e cuja solução é claramente tardia e reflete a falta de qualificação, a falta projetos da atual governação».

«Na passividade da actual maioria, o novo Hospital de Lagos tarda na proposta e no trabalho da CDU» ao longo de duas décadas, frisou Alexandre Nunes. «E esta inexistência de uma resposta capaz força as pessoas a recorrerem ao privado, ou a dirigirem-se a Faro para uma simples consulta de especialidade», acrescentou.

Por outro lado, lamentou «esta monocultura intensiva do turismo, que provoca uma erosão na base económica do desenvolvimento do concelho e uma agonia do comércio tradicional». E num novo recado à maioria, adiantou: «Não basta que exista um plano estratégico; é preciso colocá-lo em prática para o combate à sazonalidade».

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«Filas [de trânsito] e horas de ponta numa cidade desta dimensão só podem significar falta de planificação»

«Temos, também, problemas mais visíveis, como o esvaziamento de importantes serviços municipais e o desinvestimento de outros, da higiene urbana, aos espaços verdes», referiu Alexandre Nunes. Ao nível da mobilidade, o candidato da CDU notou que uma cidade de média dimensão, como é o caso de Lagos, «tem problemas de cidades grandes». «Filas [de trânsito] e horas de ponta numa cidade desta dimensão, só podem significar falta de planificação», acusou Alexandre Nunes, para quem tardam as ciclovias, entre outras soluções de projectos do tráfego rodoviário. «Ao longo do último ano, a pandemia só veio expor as fragilidades estruturais do nosso concelho», salientou o candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal de Lagos.

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«Basta de falar do passado. Podemos ter um futuro de confiança»

Mas basta de falar do passado. Podemos ter um futuro de confiança como diz aqui atrás de mim, observou, referindo-se a um dos ‘slogans’ da coligação liderada pelo PCP e exposto nas faixas e placas da CDU para esta campanha com vista às eleições autárquicas. Após ter interrompido o discurso para beber água, devido ao imenso calor que se fazia sentir, Alexandre Nunes deixou um apelo: É o tempo de uma governação democrática capaz de assegurar um concelho vivo, com visão de futuro (…) pois só assim será possível promover esta mudança. A CDU é e será um espaço de convergência de todos os que se reveem nesta necessidade. E nesse sentido, defendeu transparência na gestão do município e resposta aos anseios da população.

O candidato à presidência da Câmara de Lagos quer habitação a custos acessíveis, de forma a atrair a população residente, jovem e menos jovem, bem como uma política de investimentos do Estado que incentive as cooperativas de habitação.

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«Precisamos de construir um concelho com políticas de mobilidade, assente no estímulo ao uso do transporte público. Deve ser gratuito para os menores de 18 anos e para os aposentados»

A certa altura da sua intervenção, apontou para um concelho com uma vida económica diversificada, que estimule a criação de emprego, de qualidade e com direitos; que aproveite o facto de ser um território atractivo para fazer com que o turismo seja um motor de outros sectores com uma boa orientação dos nossos produtos, sejam eles a pesca, a agricultura ou o artesanato, criando a marca Lagos.

Precisamos de construir um concelho com políticas de mobilidade, assente no estímulo ao uso do transporte público. Deve ser gratuito para os menores de 18 anos e para os aposentados, defendeu. Alexandre Nunes pretende, também, transformar Lagos numa cidade moderna, ambientalmente sustentável para quem nos visita e, principalmente, para quem aqui vive; um concelho que promove a saúde e o bem-estar das populações num ambiente de qualidade, que combate a poluição das suas variadas formas, com mais e melhores espaços verdes. Nesse sentido, falou, ainda, na defesa do património natural, nomeadamente a Mata de Barão [de São João], a Ria de Alvor, a Ponta da Piedade, Barragem da Bravura e Dunas da Meia-Praia.

A outro nível, destacou a cultura, como um direito de todos e que envolve os agentes culturais do concelho (ouvem-se aplausos). Queremos, também, um concelho que incentive valorize o movimento associativo de base popular, que democratize a prática do desporto, acrescentou. E naturalmente como professor, Alexandre Nunes pretende condições aos estabelecimentos de ensino para desenvolverem os seus projectos com a qualidade e com as condições que o século XXI exige, acabando com a superlotação das escolas dos 2.º e 3.º ciclos.

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Será tempo de revisão do Plano Director Municipal para dar resposta à mobilidade, espaços verdes e protecção do património

O próximo período de programação e de execução de investimento dos fundos europeus, está ao virar da esquina, lembrou o candidato da CDU, apontando para investimentos fundamentais em áreas como a habitação, os transportes, a reabilitação urbana, melhoria ambiental, a prevenção estrutural de catástrofes, entre outras.

Também será o tempo de revisão do PDM [Plano Director Municipal], documento estrutural para dar resposta aos desafios do concelho, sejam eles na área da mobilidade, dos espaços verdes, protecção do património. Estamos, por isso, num momento estratégico, sublinhou.

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Nestas eleições, o voto útil é aquele que contribui para encontrar as respostas para os problemas de Lagos. Não é um voto de protesto, é um voto de projecto para o concelho

Já na parte final do seu discurso, para o qual ia seguindo os apontamentos escritos num papel, Alexandre Nunes aproveitou para deixar avisos à população local: «Nestas eleições, o voto útil é aquele que contribui para encontrar as respostas para os problemas de Lagos. Não é um voto de protesto, é um voto de projecto para o concelho. (…) A governação PS não é algo com que os lacobrigenses se tenham de resignar. A alternativa existe, tem um nome: é a CDU (palmas na assistência)».

Um homem começou a gritar «CDU!» e a plateia correspondeu: «CDU! CDU! CDU!» O candidato garantiu que «esta alternativa de que falamos não é uma alternativa apenas para alguns (…) é para todos, para toda a população» e lembrou que, nos últimos anos, «fomos uma oposição atenta, construtiva, exigente em todos os órgãos em que temos eleitos».

«A CDU, em Lagos, está pronta a disputar e a assumir todas as responsabilidades (aplausos)».

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Responsável do PCP no Algarve, Vasco Cardoso, garante que a CDU está para as curvas e não temos medo de viver

Por seu turno, o coordenador da Direcção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do Partido Comunista Português, Vasco Cardoso, numa intervenção com a duração de 15 minutos e após ter enumerado localidades como Lagos, São Bartolomeu de Messines, Castro Marim e Vila do Bispo, onde está a apresentar candidatos às eleições autárquicas, até gracejou ao dizer que «a CDU está para as curvas» e «não temos medo de viver». E num apelo dirigido à população, acrescentou: «É preciso combater o medo e dar lugar à esperança».

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«Foram as populações de Lagos as que mais perderam» com a CDU fora da Câmara

«Nas últimas eleições autárquicas, a CDU aqui no concelho de Lagos deixou de estar representada no executivo municipal, que ficou preenchido apenas com eleitos do PS e PSD», notou aquele responsável do PCP, esquecendo o Movimento de Independentes ‘Lagos Com Futuro’. «Como disse na altura, foram as populações de Lagos as que mais perderam com tal desfecho», assinalou Vasco Cardoso, para quem «a recuperação de um vereador para a CDU é não apenas um objectivo, é uma possibilidade real pela qual nos iremos bater até ao fim».

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Carlos Conceição

José Manuel Oliveira

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