Coordenador da ACRAL, Ângelo Mariano, ao CL: Na passagem-de-ano fecharam “mais ou menos cem restaurantes no concelho” de Lagos, devido aos testes à Covid-19 impostos pelo Governo, o que provocou um prejuízo de “400 mil euros”

Coordenador da ACRAL, Ângelo Mariano, ao CL: Na passagem-de-ano fecharam “mais ou menos cem restaurantes no concelho” de Lagos, devido aos testes à Covid-19 impostos pelo Governo, o que provocou um prejuízo de “400 mil euros”

“Já ao nível da cidade, se calhar, uns 40 ou 50” restaurantes não funcionaram, lamenta aquele dirigente da ACRAL. E a vereadora da Câmara Municipal de Lagos Sara Coelho explica-nos a ausência de fogo-de-artifício por parte da autarquia na entrada em 2022. Estes dois responsáveis fazem um balanço sobre a iniciativa ‘Natal no Comércio local’, que contou com a adesão de 56 estabelecimentos, mais o dobro do ano anterior. Combater as grandes superfícies comerciais, nomeadamente as compras fora do concelho de Lagos, foi um dos objectivos atingidos.

«Natal no Comércio Local 2021». Foi esta a designação da iniciativa lançada pela Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), conjuntamente com a Câmara Municipal de Lagos, entre os dias 01 de Dezembro de 2021 e 05 de Janeiro de 2022, em que a compra de produtos no valor igual ou superior a dez euros nos estabelecimentos aderentes, permitiu a cada cliente o direito de receber um cupão de participação, habilitando-se a ganhar vales de 100 euros.

No dia 06 de Janeiro, pouco depois das 15.00 horas, realizou-se o sorteio no Posto de Turismo de Lagos, situado no edifício dos Antigos Paços do Concelho, com o coordenador local da ACRAL, Ângelo Mariano, o vice-presidente da Câmara Municipal, Paulo Jorge dos Reis, as vereadoras Sandra de Oliveira e Sara Coelho e duas funcionárias da edilidade a tirarem dez cupões de cada vez da roleta, após esta ter dado várias voltas, como o ‘CL’ teve oportunidade de testemunhar. O processo ficou concluído pelas 15h20m, após aquele dirigente da ACRAL ter lido os nomes das pessoas contempladas neste sorteio.

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Mais de 8.000 cupões sorteados, numa iniciativa a que aderiram 56 estabelecimentos, mais do dobro de 2020 e sobretudo ao nível de lojas de roupa, bijutaria, óculos e joias

“Foram sorteados 60 cupões no valor de cem euros, repartidos em 25 euros por cada cupão. Ou seja, são quatro cupões de 25 euros cada um. Cada cupão dá direito às pessoas premiadas entrarem nos estabelecimentos que aderiram a esta iniciativa e adquirem produtos”, lembrou, ao nosso Jornal Ângelo Mariano. No total, houve mais de 8.000 cupões sorteados.

Aderiram “56 estabelecimentos”, o que representa “mais do dobro” do ano de 2020, assinalou. Em que ramos? - perguntámos. “Temos mais ao nível de lojas de roupa e de bijutaria, óculos, joias”, respondeu. Já em relação, por exemplo, a restaurantes, “temos um ou dois”. Também entraram, nesta iniciativa, garrafeiras, perfumarias, sapatarias, ginásios, supermercados e lojas com produtos naturais, entre outros estabelecimentos.

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“As pessoas estão mais ressentidas de ficar em casa, não fazer muitas compras. Agora, essa questão do ‘online’ também veio revolucionar um bocadinho a parte das vendas no centro histórico da cidade de Lagos”

Como viu toda esta participação? “Muito favorável. Mais do que no ano passado”, sublinhou aquele dirigente da ACRAL, para quem não se trata de uma questão de confiança. “As pessoas estão ressentidas por causa do nível económico que existe neste momento. Mas podia ter sido um pouco melhor. Poderíamos ter chegado até às 10.000 pessoas de aderência”, admitiu. “As pessoas estão mais ressentidas de ficar em casa, não fazer muitas compras. Agora, essa questão do ‘online’ também veio revolucionar um bocadinho a parte das vendas no centro histórico da cidade de Lagos”, observou Ângelo Mariano.

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Uma premiada até desconfiou, inicialmente, do telefonema da ACRAL

Já uma senhora que se candidatou ao sorteio, após efectuar compras antes do Natal na ‘baixa’ de Lagos, juntamente com uma familiar proveniente de Lisboa, disse ao ‘CL’ ter desconfiado, pensando tratar-se de “promoções de produtos de empresas”, quando recebeu o telefonema da ACRAL a comunicar haver um cupão em seu nome como um dos vencedores.

“Mas ao indicarem-me o nome da loja onde fiz as compras, vi onde estava metida. Desta vez, tive sorte”, contou, numa altura em que era felicitada por várias pessoas e começava a pensar no que iria adquirir no comércio em Lagos, com o cupão premiado. Uma panela de pressão era uma das hipóteses.

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Sara Coelho, vereadora da Câmara Municipal de Lagos: “No fundo, pretendemos que este tipo de iniciativas possa potenciar o comércio local e levar um pouco a combater também as grandes superfícies comerciais, nomeadamente as compras fora do concelho de Lagos. E acho que o objectivo foi conseguido.”

Por sua vez, a vereadora da Câmara Municipal de Lagos Sara Coelho afirmou à nossa reportagem: “Correu bem, tivemos bastante adesão. Foi melhor do que no ano passado. Tivemos mais estabelecimentos aderentes, tivemos também mais participação por parte dos munícipes e iremos continuar.” E reforçou, reconhecendo que “houve mais interesse dos comerciantes em aderir” a esta iniciativa das compras durante a quadra natalícia e passagem-de-ano.

“Aliás, isto resulta também já da experiência do ano anterior, em que já tivemos este evento, e portanto os comerciantes acabaram por ver como uma oportunidade também de fazer negócio, que era o que se pretendia, em parceria com a ACRAL. No fundo, pretendemos que este tipo de iniciativas possa potenciar o comércio local e levar um pouco a combater também as grandes superfícies comerciais, nomeadamente as compras fora do concelho de Lagos. E acho que o objectivo foi conseguido. É que acabamos com estas medidas por estar a levar a que as pessoas sintam também um incentivo em comprar no comércio”, sublinhou Sara Coelho.

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“É importante que quem nos visita e os próprios munícipes que cá residem percebam que um centro histórico é uma zona onde também existe actividade comercial”

Tem havido tendência das pessoas para irem fazer compras às grandes superfícies comerciais? - questionou o ‘CL’. A vereadora respondeu: “Sim, porque aí acabam por ter várias lojas concentradas, muitas vezes marcas mais conhecidas. Mas no caso em concreto de Lagos é importante que quem nos visita e os próprios munícipes que cá residem percebam que um centro histórico é uma zona onde também existe actividade comercial, temos várias lojas e vários tipos de comércio concentrados e que aqui também é possível fazer as compras, nomeadamente, neste caso, as compras de Natal e para esta quadra festiva.”

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“Há pessoas cada vez mais a fazerem compras ‘online’ e isso já foge um pouco ao âmbito do comércio local”

Por outro lado, a autarca admitiu que a Covid-19 perturbou a actividade comercial em Lagos. “A pandemia perturba sempre um bocado, até porque trouxe algumas compras ‘online’. E há pessoas cada vez mais a fazerem compras ‘online’ e isso já foge um pouco ao âmbito do comércio local. Nesse sentido, a ACRAL poderá também ter um papel importante, levando a que os comerciantes deste concelho possam adaptar-se a esta questão das compras ‘online’. Evidentemente traz algum impacto, as pessoas fogem às lojas e arranjam outras alternativas de compra. Daí a importância deste tipo de iniciativas” nas compras durante a quadra festiva, sublinhou.

Já a pensar no próximo Natal e fim-de-ano, a Câmara Municipal de Lagos irá reunir-se com a ACRAL para avaliar como o processo decorreu” em 2021 e no início de 2022, “e pensar que é necessário introduzir novas alterações”. “Haverá sempre melhorias, nem que seja pelo aumento do apoio por parte do município”, perspectivou.

Nesse sentido, prosseguiu Sara Coelho, autarquia “terá de contribuir não só com o apoio financeiro e nomeadamente neste caso em parceria com a ACRAL, mas também fazendo aquilo que tem feito nos últimos anos, que é, no fundo, promover actividades na zona do centro histórico, onde está concentrado o comércio, e embelezar a cidade, de forma a torná-la mais atrativa e a fazer com as pessoas venham mais vezes ao centro. Refiro-me às iluminações, à música ambiente na rua, à animação circulante”. Na última quadra festiva, “não houve foi aquele grande encontro da chegada do Pai Natal, como noutros anos, porque a pandemia não nos permitia grandes ajuntamentos de pessoas. E, portanto, todas as actividades que levassem a ajuntamentos foram eliminadas da programação nestes últimos dois anos”. “Mas vamos continuar a apostar na dinamização e no trabalho conjunto com os comerciantes”, prometeu a autarca lacobrigense.

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ACRAL considera que, no fim-de-ano, “o Governo agiu mal por ter feito o que fez, que é a parte das testagens. As pessoas que estivessem protegidas [com a vacina], poderiam ter estado nos restaurantes na mesma”

Em relação à passagem-de-ano no concelho de Lagos, o coordenador local da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve, Ângelo Mariano, acha que “o Governo agiu mal por ter feito o que fez, que é a parte das testagens. As pessoas que estivessem protegidas [com a vacina], poderiam ter estado nos restaurantes na mesma. Em Lagos, também se perde por não haver muitas esplanadas.”

Muitos restaurantes fecharam com receio dos seus proprietários devido às normas impostas pelo Covid na recente fase de contenção. E outros não cumpriram essas determinações. “Metade não cumpre”, assumiu aquele dirigente associativo. “A ACRAL apoia a cem por cento todos os empresários de Lagos”, garantiu, admitindo que, “neste momento, sensibilidade é um bocado difícil” em termos pessoais. “Mas a nível das redes sociais, temos sempre o ‘Facebook’ a transmitir as novas informações que vêm do Governo”, adiantou Ângelo Mariano.

Quantos restaurantes fecharam durante o fim-de-ano no concelho Lagos? “Mais de cinquenta por cento. Podemos falar, mais ou menos, de cem restaurantes no concelho. Já ao nível da cidade, se calhar, uns 40 ou 50”, revelou. Tal situação terá ficado perto do que se verificou no ano passado. Quanto aos prejuízos, “estamos a falar na ordem dos 400 mil euros”, salientou aquele representante da ACRAL, perspetivando o apoio da Câmara Municipal de Lagos a esses empresários da restauração. “Tenho uma esperança de que a Câmara e mesmo o Governo prestem os apoios convenientes às pessoas” prejudicadas.

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‘SOS Empresas’, promovido pela ACRAL e Câmara Municipal de Lagos, para apoiar economicamente restaurantes, bares e cafetarias em situação difícil

Há empresas em risco de fechar? “Muitas. Por isso é que nós em Lagos, juntamente com a Câmara Municipal, temos o ‘SOS Empresas’, para as pessoas que estão mesmo no ponto crítico tentarem falar connosco, de forma a resolvermos a situação a nível económico. Isso graças à Câmara Municipal de Lagos”, destacou. Para já, o dirigente da ACRAL não sabe quanto irá despender a autarquia nesse sentido.

Se, por exemplo, um restaurante sem condições económicas, estiver para encerrar, com o consequente desemprego de trabalhadores, “vai ser ajudado monetariamente” por parte do município, através do programa ‘SOS Empresas’, “além de outros apoios”. Nesta altura, “quem estiver em situação muito crítica, poder-se-á dirigir à ACRAL” e “já há muita gente, uns 25 candidatos, sobretudo restaurantes, bares e cafetarias” a bater à porta desta associação, em Lagos.

Ângelo Mariano mostrou-se confiante de que a partir de agora a situação desses estabelecimentos possa voltar à normalidade possível. “Penso que, agora, vão começar a abrir. Caso contrário, a nível económico não teremos capacidade para aguentar muito mais. Se isto continuar com restrições, será o fim”, avisou.

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Sara Coelho, vereadora da Câmara Municipal de Lagos: “Estávamos a prever um investimento talvez na ordem dos 25, 30 mil euros” para o lançamento de fogo-de-artifício durante “dez, quinze minutos”, mas “tivemos algum receio de que pudesse haver ajuntamentos com mais de dez pessoas”, como era impedido pelo Governo

Por outro lado, ao ser questionada pelo ‘CL’ porque é que não houve fogo-de-artifício, promovido pela Câmara Municipal de Lagos, a assinalar a entrada no ano de 2022, a vereadora Sara Coelho justificou: “Para evitar ajuntamentos. Até porque tínhamos as medidas impostas pelo Governo no âmbito dos efeitos da pandemia, nomeadamente o impedimento de haver ajuntamentos com mais de dez pessoas. E portanto, tivemos algum receio de que o fogo-de-artifício pudesse potenciar esses ajuntamentos”.

Existia algum contrato com alguma empresa? “Não. Tínhamos efectuado várias consultas a várias empresas, mas o contrato não tinha ainda sido celebrado”, garantiu a autarca. Quanto iria a Câmara despender? “Estávamos a prever um investimento talvez na ordem dos 25, 30 mil euros” para o lançamento de fogo-de-artifício durante “dez, quinze minutos”, especificou Sara Coelho.

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“Lagos não ficou atrás. Houve vários concelhos que decidiram não avançar. Aliás, a maioria dos concelhos decidiu não avançar nem com o concerto de final de ano, nem com o fogo-de-artifício

Quanto ao facto de, por exemplo, as câmaras municipais de Vila do Bispo e Portimão terem iniciado o ano de 2022 com fogo-de-artifício, a vereadora da edilidade lacobrigense afastou a ideia de este concelho ter perdido em termos concorrenciais. “Lagos não ficou atrás. Houve vários concelhos que decidiram não avançar. Aliás, a maioria dos concelhos decidiu não avançar nem com o concerto de final de ano, nem com o fogo-de-artifício. Devo dizer que houve, inclusivamente, uma reunião na Associação de Municípios do Algarve, em que essas medidas foram o mais possível concertadas entre os vários municípios. E a grande maioria preferiu não fazer. É claro que era uma medida que ficava a cargo da gestão de cada concelho. Mas Lagos é um concelho que tem muita gente e que também recebeu muita gente mesmo nesta quadra. Portanto, corríamos sempre o risco de, de facto, promover ajuntamentos. Como tal, não quisemos tomar essa opção [do fogo-de-artifício], as pessoas puderam festejar de outras maneiras o Natal e, neste caso, a passagem-de-ano, de uma forma mais intimista junto das suas famílias e acautelando, assim, que não se potenciassem ajuntamentos com número superior a dez pessoas”, afirmou.

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“Não fui à rua. Não fiz mais nada. Passei uma boa passagem-de-ano com a minha família”

De resto, Sara Coelho passou o fim-de-ano e a entrada em 2022, “em casa com os meus pais, com o meu marido e com as minhas filhas, a minha família restrita”. “Não fui à rua. Não fiz mais nada. Passei uma boa passagem-de-ano com a minha família”, congratulou-se.

No entanto, houve foguetes e fogo-de-artifício no concelho de Lagos, por iniciativa de particulares. Isso provocou alguma perturbação? “Não. Foram situações que não estavam previstas e, portanto, não foram comunicadas previamente à Câmara. Mas daquilo que entretanto pudemos verificar, não ocorreu qualquer perturbação. Tratou-se de lançamentos pontuais e particulares, sem ajuntamentos de pessoas”, assegurou a vereadora.

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Ficam adiados projectos pioneiros da ACRAL, em Lagos, como festivais da Gastronomia e do Polvo, e a ‘Moda Reciclada’

Em Lagos, não faltavam à ACRAL projectos pioneiros para 2022, com o objectivo de dinamizar a restauração e o comércio local, necessitando do apoio camarário. O primeiro seria o Festival da Gastronomia, no mês de Janeiro ou de Fevereiro, em que um ‘chef’ com reputação internacional faria parte do júri dessa iniciativa.

Por outro lado, estava previsto durante um fim-de-semana, em Março, o I Festival do Polvo em Lagos. E entre outros projectos, apontava-se, para Outubro, a ‘Moda Reciclada’, através da qual alunos das escolas fariam a sua roupa rica em elásticos e outros materiais. Contudo, essas iniciativas pioneiras, para já, acabaram por ficar anuladas, ou pelo menos, suspensas, devido ao sucessivo aumento de casos de Covid-19 no concelho de Lagos e ao facto de a Câmara Municipal tentar colocar um travão, a todo o custo, a ajuntamentos de pessoas. “No dia 25 de Janeiro de 2022, pelas 16.30 horas, vou ter uma reunião na Câmara Municipal de Lagos com o senhor presidente”, disse-nos o coordenador da ACRAL, mostrando-se pouco esperançado em ver os seus projectos poderem ir por diante.

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Dia dos Namorados, com animação de rua e um passeio a zonas românticas

O que sabe é que a autarquia pretende assinalar o Dia dos Namorados, a 14 de Fevereiro, com animação na rua e um passeio em “zonas românticas”, existindo um apelo aos donos dos estabelecimentos, nomeadamente restaurantes, para os manterem abertos.

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Empresários de Lagos vão apresentar ideias para combater a sazonalidade

Entretanto, a ACRAL vai reunir, nas suas instalações, na cidade de Lagos, em Fevereiro, empresários do concelho para ouvir as suas ideias sobre a forma de combater a sazonalidade. Animação na via pública e nos estabelecimentos poderão ser apostas a ter em conta.

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