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Autárquicas 2021: PAN renova candidatura ao município de Lagos na pessoa de Maria João Sacadura

Autárquicas 2021: PAN renova candidatura ao município de Lagos na pessoa de Maria João Sacadura

O PAN – Pessoas-Animais-Natureza entregou ontem as listas de candidatura ao Município de Lagos, com Maria João Sacadura como candidata à presidência da Câmara Municipal e Assembleia Municipal. O partido avança também com a candidatura às Assembleias de Freguesia de São Gonçalo e União de Freguesias de Bensafrim e Barão de S. João.

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Quem é Maria João Sacadura?

Maria João Sacadura, 57 anos, nasceu e viveu a sua infância em Moçambique, vindo para Portugal ainda em tenra idade. Licenciou-se em Geologia Aplicada e do Ambiente pela Universidade de Lisboa em 1996, fez Mestrado em Gestão e Políticas Ambientais pela Universidade de Évora em 2006 e iniciou o Doutoramento em Sedimentologia Ambiental na Universidade do Algarve um ano depois.

Viveu vários anos na cidade de Caldas da Rainha, onde leccionou no ensino público secundário e exerceu funções técnicas na indústria cerâmica. Em 2018 iniciou o seu actual trabalho como coordenadora de projectos e professora do ensino básico e secundário numa escola internacional, leccionando Biologia, Geografia, Química, Ciências do Mar e Gestão Ambiental.

Paralelamente, deu início a um projecto de agricultura biológica de subsistência e escreveu um romance. Participa frequentemente em acções de voluntariado aliadas à causa animal, na defesa do ambiente e em projectos na Universidade Sénior.

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Propostas

A redução da pegada de carbono e impactos das alterações climáticas na região é, para o PAN, uma prioridade. Segundo Maria João Sacadura, «deve haver uma redução na produção de energia eléctrica com origem em fontes não renováveis, através da criação de um Plano para Produção de Energia Própria Combinada em todos os edifícios municipais e públicos, e da criação de um pacote municipal de apoio à micro-produção de energias renováveis, preferencialmente em sistemas de co-produção, mas incluindo sistemas de autoconsumo nas zonas rurais mais isoladas».

No que respeita a transportes terrestres e marinhos, «os motores de combustão devem ser progressivamente substituídos por alternativas eléctricas e/ou solares, tecnologia já existente para embarcações, inclusive no Algarve, com excelentes resultados», afirma a candidata. Neste sentido, o PAN propõe o planeamento de uma rede de transportes públicos para Lagos, tendencialmente gratuitos, não poluentes, em combinação com alternativas suaves e activas na mobilidade, através da criação de eixos pedonais e cicláveis e de um sistema de bicicletas partilhadas.

O combate às alterações climáticas passa ainda por repensar a relação com a produção e distribuição alimentar: «O concelho de Lagos deve evitar a produção agrícola intensiva de regadio, como é o caso da produção de abacates em Barão de S. João, focando-se em práticas regenerativas, sem recurso a químicos de síntese e respeitando os ecossistemas existentes nos solos, potenciando a economia local e circular. É também essencial que todos os refeitórios e cantinas de edifícios públicos do concelho providenciem uma opção vegetariana e acompanhamento nutricional aos profissionais e utentes».

Também a gestão da água e a preservação dos recursos hídricos são uma prioridade no Algarve. De acordo com a candidata, «a região caminha a largos passos para a desertificação, com o correspondente aumento exponencial do risco de incêndios. A plantação de espécies diversificadas, resilientes e autóctones nas florestas, o combate à erosão, a utilização preferencial de materiais que evitem a impermeabilização dos solos, a reutilização de águas residuais tratadas e a protecção do aquífero Almádena-Espiche através de um sistema automático para monitorização permanente do nível e estado das águas, devem ser considerados prioritários».

No que concerne a áreas verdes em zonas urbanas, Maria João defende a definição de quotas obrigatórias de área verde por metro quadrado de edificado, cujo planeamento considere possíveis consequências resultantes da localização e espécies escolhidas, e do tipo de poda previsto: «O abate de árvores adultas deve ser evitado a todo o custo», adverte. Também a literacia dos oceanos, junto de escolas, populações, empresas e entidades, e a promoção e licenciamento de actividades náuticas sustentáveis é fundamental no Algarve: «Para preservar é preciso conhecer, e uma das urgências de Lagos é dar a conhecer melhor o mar, seja através do ensino, do desporto, ou do lazer», diz a candidata.

Relativamente à gestão camarária, o PAN considera que uma hegemonia partidária, extensa no tempo, não favorece o desenvolvimento de uma democracia saudável e transparente independentemente do executivo: «Nenhum novo executivo camarário deve iniciar funções sem fazer uma auditoria à gestão de recursos humanos, fornecedores e contas da autarquia, e inteirar-se dos procedimentos vigentes», desfere Maria João Sacadura, que pretende começar por aí caso seja eleita.

Numa óptica de bem-estar das populações, é para o PAN «imprescindível» auscultar a população e a sociedade civil, para tornar o processo democrático mais directo e participativo. O PAN defende a implementação de Assembleias de Cidadãos(ãs), onde estes(as) poderão propor e decidir sobre os projectos do município: «Iiremos convidar também associações de estudantes e outras a participar nas assembleias municipais», confirma a candidata.

Constituir um Conselho Municipal que defina Políticas Municipais de Saúde, que implemente programas de promoção de saúde e prevenção de doenças, e ter uma unidade hospitalar plenamente integrada no SNS com mais e melhores cuidados de saúde, não apenas primários, mas também consultas e exames de diagnóstico, são medidas que a população lacobrigense pede e que Maria João Sacadura «irá pugnar para conseguir», conforme plasmado em comunicado dirigido à imprensa.

Para o PAN Lagos, «o grave problema social relacionado com a crise habitacional é de resolução necessária e urgente. Embora esteja em curso um processo de execução de habitações a custos controlados, não é suficiente. A população não tem níveis salariais que permitam a aquisição ou arrendamento de imóveis aos preços inflacionados que se praticam na região, incluindo a classe média, não enquadrada nos processos de habitação social». Assim, o partido propõe a concepção e implementação, no imediato, de programas para arrendamento de média e longa duração para os residentes e profissionais deslocados, bem como a utilização da taxa turística para maior oferta de habitação jovem, com preços mais acessíveis: «É (...) urgente criar um sistema de habitação social condigno que promova a reabilitação de património municipal e do Estado antes de recorrer a novas construções», consta.

Relativamente ao regulamento de habitação social no concelho, este não pode, na óptica da candidata, «sujeitar os locatários a regras humilhantes, como a proibição de ter animais de companhia», para a qual o problema da habitação é agravado pela precariedade laboral: «A empregabilidade no concelho de Lagos é essencialmente sazonal, confinada às épocas de maior turismo ou de apanha de fruta, o que cria um esforço acrescido para que estas pessoas consigam sobreviver todo o ano», refere Maria João Sacadura.

Apostar em políticas públicas de defesa do comércio local, não apenas enquanto pólo gerador de emprego, mas também como factor de socialização e de dinamização do espaço municipal, é também uma prioridade do PAN, que pretende «isentar de taxas, durante o primeiro ano, as micro e pequenas empresas que se instalem no concelho» e «rever em baixa os valores devidos às empresas já implantadas, assim como apostar no licenciamento preferencial de turismo rural ligado a actividades de natureza, turismo científico e de experiências, que trazem durante todo o ano um público informado e respeitador do ambiente».

Finalmente, o PAN considera urgente a criação de um Centro Municipal de Bem-Estar Animal, com capacidade física e de recursos humanos, para recolher e alojar condignamente todos os animais abandonados ou vítimas de maus tratos, prestar cuidados médico-veterinários e proceder à sua esterilização e, quando necessário, socialização: «É necessário promover campanhas de adopção responsável e é urgente aumentar o apoio e empoderamento de
associações de defesa animal e cuidadores de animais errantes e colónias, com comida, abrigos, actos médico-veterinários e capacidade de decisão», termina a candidata.

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